A polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pode tornar o primeiro turno mais decisivo do que parece hoje. Para Cila Schulman, CEO do Instituto Ideia, a possibilidade de a eleição terminar já na primeira votação não deve ser descartada. Isso não significa, porém, que exista hoje um vencedor provável nessa etapa.A pesquisadora vê forças atuando nas duas direções. Lula pode ter no primeiro turno sua melhor oportunidade de alcançar a maioria necessária. Ao mesmo tempo, o medo de uma vitória petista antecipada pode acelerar a migração de eleitores de outras candidaturas para Flávio.“Eu acho que o melhor shot para o Lula é ganhar no primeiro turno. No segundo turno ele terá muita dificuldade por conta disso, não tem mercado de voto para ele buscar”, afirmou Cila no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (11).Leia tambémCrise no STF domina uma eleição já “sem novidades, projetos e planos”Disputa entre ministros e sucessão de operações desviam atenção de propostas de Lula e Flávio a menos de um mês do primeiro turnoLula: Pesquisas não me abalam, são reflexo para saber o que fazer dali para frenteA maneira como o presidente se referiu às pesquisas se difere de como alguns integrantes de sua campanha têm visto os números nos bastidoreCila observa que Lula ainda pode crescer entre eleitores que aprovam seu governo, mas não declaram voto nele. O problema aparece entre os eleitores das candidaturas menores. Segundo ela, boa parte desse grupo rejeita a continuidade do atual governo.“Quando você olha para os outros candidatos, os eleitores dos outros candidatos, eles são anti-governo, eles não querem que esse governo continue”, afirmou.Isso reduz o espaço de Lula para buscar novos votos em um eventual segundo turno.O “antipetismo de chegada”A mesma dinâmica, porém, pode dificultar uma vitória antecipada do petista. Cila chama de “antipetismo de chegada” a migração de eleitores que, ao perceberem uma chance concreta de Lula vencer no primeiro turno, abandonam candidaturas menores e concentram o voto no adversário mais competitivo.Hoje, Flávio seria o principal beneficiário.“Existe uma coisa que eu chamo de antipetismo de chegada. Quando chega ali no final e as pessoas começam a perceber que existe uma possibilidade de o Lula ganhar no primeiro turno, elas começam a fazer o voto útil”, explicou.A pesquisa do Instituto Ideia discutida no programa mostra Lula com 38% e Flávio com 37% no primeiro turno. No segundo, os dois aparecem empatados, com 46%.Apesar da vantagem numérica mínima de Lula, Cila avalia que o momento é mais favorável ao candidato do PL.“O Flávio está no momento melhor agora”, afirmou.Segundo ela, Flávio recuperou eleitores perdidos e avançou sobre votos antes distribuídos entre outras candidaturas. No entanto, o cenário não permite apontar quem teria mais chance de encerrar a disputa antecipadamente.“Eu não estou dizendo que o Lula vai ganhar no primeiro turno. Eu não estou dizendo que o Flávio vai ganhar no primeiro turno”, afirmou.A tese é que, com a disputa cada vez mais concentrada e pouco espaço para candidaturas intermediárias, o voto útil pode chegar antes do segundo turno — e tornar a primeira votação mais decisiva do que o habitual.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Eleição pode acabar no 1º turno? A conta que preocupa Lula e favorece Flávio appeared first on InfoMoney.
