EUA detectam parasita mortal em gado; entenda ameaça à produção de carne

Blog

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou nesta semana o primeiro caso de infestação por berne-do-novo-mundo no Texas em quase seis décadas, reacendendo preocupações sobre a produção pecuária do país e provocando forte reação nos mercados.Após a confirmação da presença do parasita em um bezerro de três semanas no sul do estado, os contratos futuros de gado de engorda negociados na Bolsa de Chicago (CME) avançaram mais de 3%. Investidores passaram a precificar o risco de uma oferta ainda menor de bovinos em um mercado que já enfrenta escassez histórica de animais para abate.A descoberta ocorre em um momento delicado para a pecuária americana. O rebanho bovino dos Estados Unidos está no menor nível em 75 anos, resultado de secas prolongadas e do aumento dos custos de alimentação que levaram produtores a reduzir seus plantéis nos últimos anos.O que é a mosca-da-bicheiraA praga identificada no Texas é causada pelas larvas da espécie Cochliomyia hominivorax, conhecida como mosca-da-bicheira ou berne-do-novo-mundo.Diferentemente de outros parasitas, suas larvas não se alimentam de tecido morto. Elas atacam tecidos vivos de animais de sangue quente, penetrando em feridas abertas e provocando lesões que podem evoluir para infecções graves, danos a órgãos e até morte do hospedeiro.Leia tambémRedes associam tarifaço e ameaça ao Pix a Flávio Bolsonaro, mostra monitoramentoLevantamento da Palver indica que 81% das mensagens opinativas sobre o tema em grupos públicos responsabilizam o senador pela escalada da tensão entre Brasil e EUATarifas de Trump repetem estratégia que pode ser considerada ilegal, diz Paul KrugmanA crítica foi publicada após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) anunciar uma nova investigação contra vários parceiros comerciais, incluindo União Europeia, Japão e BrasilO USDA informou que a infestação foi detectada em La Pryor, no sul do Texas. O caso é o primeiro registrado no estado desde 1966.Embora o parasita não represente risco à segurança alimentar, especialistas alertam que ele pode causar perdas econômicas expressivas ao reduzir a produtividade dos rebanhos.Mercado reage ao risco de escassezA confirmação do caso teve impacto imediato nos preços do gado.Inicialmente, os contratos futuros recuaram diante do temor de que consumidores reduzissem a demanda por carne bovina. Ao longo do pregão, porém, prevaleceu a percepção de que uma eventual disseminação da praga poderia restringir ainda mais a oferta de animais.O resultado foi uma forte alta das cotações. Analistas estimam que uma infestação ampla poderia gerar perdas de até US$ 1,8 bilhão apenas para a indústria pecuária do Texas.O impacto também preocupa grandes processadoras de alimentos, como JBS, Cargill e Tyson Foods, que dependem de um fluxo constante de animais para abastecer suas operações.Plano de contençãoO USDA mobilizou equipes de emergência para tentar impedir a propagação da praga. As medidas incluem a criação de uma zona de controle de 20 quilômetros ao redor do foco identificado, restrições à movimentação de animais, quarentenas e reforço da vigilância sanitária.O governo também ampliou a liberação de moscas estéreis, técnica utilizada historicamente para controlar a espécie.O método consiste em criar milhões de insetos em laboratório e esterilizá-los por radiação. Quando esses machos se reproduzem com fêmeas selvagens, não há geração de descendentes, reduzindo gradualmente a população do parasita.Segundo a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, a estratégia foi responsável pela erradicação da praga no país décadas atrás.Como o parasita voltouA mosca-da-bicheira havia sido eliminada dos Estados Unidos após uma longa campanha sanitária conduzida ao longo do século passado.Nos últimos anos, porém, autoridades registraram aumento dos casos na América do Sul e na América Central. Especialistas acreditam que o avanço da praga em direção ao norte ocorreu após falhas na barreira sanitária mantida entre o Panamá e a Colômbia.O USDA afirma que monitora a expansão do parasita há meses e já havia suspendido, em 2025, a entrada de animais vivos pela fronteira sul.A agência também posicionou cães farejadores em postos de fiscalização e enviou equipes ao México e ao Panamá para reforçar programas de controle.Casos em humanos são rarosEmbora a principal preocupação seja o impacto econômico sobre a pecuária, a infestação também pode atingir seres humanos.A transmissão ocorre quando moscas depositam ovos em feridas abertas. As larvas passam então a se alimentar do tecido do hospedeiro.Segundo autoridades americanas, os casos humanos são incomuns. O registro mais recente nos Estados Unidos ocorreu em 2025, em Maryland, envolvendo uma pessoa que havia viajado ao exterior e se recuperou após tratamento.O grupo mais vulnerável inclui trabalhadores rurais, veterinários, pessoas que permanecem longos períodos ao ar livre e indivíduos com ferimentos expostos.Risco bilionárioO temor das autoridades é evitar a repetição de episódios registrados no passado.O maior surto da história americana ocorreu em 1972, quando cerca de 90 mil casos foram contabilizados. Estimativas do Federal Reserve de Dallas indicam que uma infestação semelhante atualmente poderia gerar prejuízos superiores a US$ 3 bilhões apenas na região sudoeste do país.Para evitar esse cenário, o governo americano anunciou investimentos de US$ 750 milhões em uma nova instalação no Texas destinada à produção de centenas de milhões de moscas estéreis por semana.A unidade deverá entrar em operação no próximo ano e será uma das principais apostas para impedir que a praga se estabeleça novamente nos Estados Unidos.The post EUA detectam parasita mortal em gado; entenda ameaça à produção de carne appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *