Embora o tape reading prometa leitura avançada do mercado, na prática, a subjetividade da interpretação ainda afasta a consistência da maioria dos operadores. Como resultado, dois traders podem olhar o mesmo fluxo e tomar decisões completamente opostas.Diante disso, Sérgio Gargantini concedeu entrevista ao InfoMoney e detalhou os bastidores da criação da ASG, ferramenta que busca transformar a leitura de fluxo em um sistema estruturado.Com regras claras e sinais operacionais definidos, a ASG reduz a dependência da interpretação individual.Origem da ferramentaGargantini explica que a criação da ASG nasceu de uma limitação prática do próprio mercado. Segundo ele, ensinar fluxo não garantia resultado consistente entre os alunos, justamente pela diferença de percepção entre operadores. “Fluxo é um negócio complicado, porque se você pega duas pessoas, se eu colocar você e um outro cara e ensinar a mesma coisa, um cara vê compra e o outro vê venda”, afirma.Além disso, ele ressalta que a inconsistência dessa leitura o levou a interromper o ensino tradicional. Consequentemente, a solução foi transformar essa leitura em algoritmo. “Se eu tivesse um sistema que mostrasse para o trader o que eu vejo, se eu conseguisse escrever isso em um código, em um sistema, e ao invés de eu ensinar o fluxo para o cara, eu dê o fluxo pronto”, explica.Nesse sentido, a motivação também foi técnica. O desenvolvedor destaca a capacidade computacional superior do sistema em relação ao humano. “O que um sistema consegue processar é algo assim infinitamente, cara, não dá para comparar”, afirma.Tecnologia e execuçãoDo ponto de vista técnico, a ASG opera em um nível comparável ao institucional. O sistema foi desenvolvido em linguagem de alta performance, com foco em processamento de dados em tempo real. “Isso aqui é compilado em C++”, afirma.Além disso, a ferramenta trabalha com leitura contínua do fluxo, sem depender de estruturas tradicionais baseadas em tempo. Isso permite capturar mudanças rápidas de comportamento do mercado. “Ela consegue fazer isso 1.660 vezes por segundo”, ressalta.Atualmente, a ASG opera em diferentes mercados, tanto no Brasil, B3 quanto no exterior, CME, ampliando o leque de leitura para o trader. “Mini índice e dólar futuro aqui B3 e Nasdaq, CME, lá fora”, afirma.Nesse sentido, o acesso à ferramenta ocorre via transmissão ao vivo, com os assinantes acompanhando a leitura em tempo real. Assim, o trader consegue visualizar simultaneamente diferentes ativos e toda a estrutura da ASG sem necessidade de instalação local. “É mais fácil eu rodar no Zoom e o assinante assistir”, explicaFerramenta ASG desenvolvida por Sérgio GargantiniLeitura da telaAntes de aprofundar cada componente, a ASG organiza sua leitura em dois grandes blocos visuais: fluxo e gráfico. Essa divisão é fundamental para entender como o trader deve interpretar a ferramenta no dia a dia operacional. “A ASG, ela traz leitura de fluxo, lado esquerdo, lado direito, região e análise técnica”, afirma.No lado esquerdo da tela, está concentrada toda a leitura de fluxo. É ali que o trader encontra o contexto macro e micro, a atuação dos makers, o suporte e resistência dinâmicos, ChatGPT, além do placar estatístico e das interpretações automatizadas do sistema.Além disso, esse mesmo lado reúne elementos de apoio à decisão, como o painel central com setas direcionais, alertas visuais e a análise complementar que atualiza o cenário em tempo real. Dessa forma, o operador tem uma leitura consolidada do que está acontecendo no mercado. “Ele pega a junta de tudo aqui e dá atualização do que está acontecendo”, observa.Ferramenta ASG desenvolvida por Sérgio Gargantini – parte da esquerda onde se encontra o fluxoPor outro lado, o lado direito da tela é onde acontece o operacional. Nele estão os gráficos e, principalmente, as regiões de atuação, que indicam onde o trader deve ou não executar suas operações. “A parte gráfica é justamente onde está o operacional”, afirma.Ferramenta ASG desenvolvida por Sérgio Gargantini – parte da direita onde se encontra o gráfico com as regiões para a atuação do traderNesse sentido, a lógica da ferramenta passa a ser clara: o lado esquerdo mostra o que o mercado está fazendo, enquanto o lado direito indica onde agir. A partir dessa estrutura, cada elemento da ASG passa a funcionar como uma peça complementar dentro da tomada de decisão.Contexto: macro e microNa estrutura da ASG, o primeiro bloco relevante é o contexto, dividido entre macro e micro. Enquanto o macro representa o comportamento do dia, o micro define o fluxo no momento atual. “Leitura de contexto, macro, refere-se ao dia. O micro, ele é o fluxo no agora”, afirma.Além disso, a combinação entre esses dois fatores é determinante para a tomada de decisão. Quando ambos apontam na mesma direção, o cenário tende a ser mais direcional. “Se estiver alinhado com a macro, você não fica atuando contra de jeito nenhum”, orienta.Por outro lado, a ferramenta evita o uso de tempo fixo, comum em indicadores tradicionais. Em vez disso, trabalha com leitura dinâmica do fluxo. “Ela não é baseada em tempo”, explica.Consequentemente, essa abordagem permite identificar mudanças mais rápidas no mercado. “Ele consegue fazer micros viradas aqui”, observa.Com isso, o contexto funciona como base de toda a leitura da ferramenta. “É a micro que dita o movimento agora”, conclui.Ferramenta ASG desenvolvida por Sérgio Gargantini – contexto macro e microMakers e institucionalOutro componente relevante é o indicador de Makers, que busca identificar padrões institucionais no fluxo. Diferentemente da leitura tradicional por corretora, a ASG foca no comportamento. “Eu desenvolvi um algoritmo que consegue captar padrão institucional, mas sem se importar com o nome da corretora”, afirma.Além disso, o sistema identifica padrões recorrentes de atuação no book e nas agressões. Isso permite antecipar movimentos antes mesmo de ocorrerem. “Ele consegue captar, muitas vezes, HFT padrãozinho”, explica.Nesse sentido, o Maker não representa apenas leitura atual, mas também uma possível intenção futura. “Ele consegue fazer a leitura de um movimento que nem aconteceu ainda”, observa.Ferramenta ASG desenvolvida por Sérgio Gargantini – painel dos MakersSuporte dinâmicoA ASG também possui uma leitura própria de suporte e resistência, diferente da análise técnica tradicional. Esse componente é derivado diretamente do fluxo e do book. “Ele é o cruzamento da agressão com oferta agora”, afirma.Além disso, essa leitura é dinâmica e contextual, não baseada em regiões históricas fixas. Isso evita erros comuns de tentar comprar apenas por preço baixo. “Não adianta você ficar caçando o mínimo aqui”, alerta.Nesse sentido, o sistema passa a evidenciar quando o preço realmente encontra sustentação ou, ao contrário, quando há continuidade do movimento mesmo em regiões onde o trader esperaria reação. Isso reduz interpretações equivocadas típicas da análise tradicional. “Existe uma resistência muito mais pesada para o lado da venda”, explica.Essa leitura não apenas identifica pontos de reação, mas reforça a dominância do fluxo naquele momento, deixando claro quando não faz sentido operar contra a tendência. Assim, o trader passa a evitar operações de baixa probabilidade. “O movimento vem muito mais pesado para o lado da venda”, conclui.Ferramenta ASG desenvolvida por Sérgio Gargantini – suporte e resistência dinâmicoPainel central e alertasNo centro da tela, a ASG apresenta um painel visual com setas, alertas e elementos gráficos que reforçam a leitura do fluxo. A seta principal sintetiza o direcionamento do mercado. “Ela é uma combinação da micro e da macro”, afirma.Além disso, a sinalização é direta: seta para baixo indica venda, para cima indica compra e combinações indicam atenção. “Ele fica sempre lembrando o trader pra qual lado o mercado está”, explica.Outro elemento importante é o uso de alertas visuais, como o “raio”, que indica alta convicção no movimento, sinalizando que não é para operar contra a tendência atual, com o objetivo de reduzir o erro operacional, principalmente de iniciantes. “Em alguns momentos aparece um raio no meio da tela”, comenta.Segundo Gargantini, o painel funciona como um guia contínuo. “É como se tivesse alguém narrando o mercado”, conclui.Ferramenta ASG desenvolvida por Sérgio Gargantini – painel central dos alertas, onde aparecem as setas e os raiosLeitura assistida (ChatGPT)Dentro da estrutura da ASG, um dos diferenciais é a camada de interpretação automatizada, que atua como suporte direto à tomada de decisão. Essa leitura é feita por um sistema integrado que consolida todas as variáveis do fluxo e traduz o cenário para o trader de forma objetiva. “Ele pega a junta de tudo aqui e aí ele dá sempre atualização do que está acontecendo”, afirma.Além disso, essa camada não apenas descreve o mercado, mas também estabelece níveis críticos de preço. Dessa forma, o trader passa a ter referências claras de continuidade ou reversão do movimento. “Se o preço ficar abaixo do 196.660, favorece a continuação da queda. Se ele romper o 196.840, favorece a alta”, explica.Nesse sentido, o sistema funciona como um narrador do mercado em tempo real, reduzindo a necessidade de interpretação subjetiva. Isso é especialmente relevante para operadores menos experientes, que ainda não desenvolveram leitura própria.Além disso, o nível de intensidade da leitura também varia conforme o cenário. Em momentos de forte direção, o sistema emite alertas mais contundentes.“O ultra é o estágio mais elevado em relação a esse peso da venda”, afirma.A proposta dessa camada é simplificar a leitura sem perder profundidade, integrando fluxo, contexto e regiões em uma única interpretação operacional. “O chat GPT considera muito a questão das regiões do gráfico”, conclui.Ferramenta ASG desenvolvida por Sérgio Gargantini – painel do ChatGPTPlacar e direçãoPara simplificar toda essa complexidade, a ASG utiliza um placar estatístico, que resume os principais fatores do fluxo. Esse placar considera macro, micro, suporte/resistência, sinal central e análise do chatGPT. “O placar estatístico, ele faz a leitura geral”, afirma.Além disso, o sistema traduz essa leitura em um formato intuitivo. Nesse sentido, quanto maior o alinhamento entre os fatores, mais direcional tende a ser o mercado. “Sempre quando está um 5 a 0, o mercado fica muito mais fácil de operar”, observa.Por outro lado, cenários equilibrados indicam lateralidade. “O mais difícil é quando ele fica tipo 1 a 1”, explica.Consequentemente, o placar funciona como um resumo operacional imediato. “Ele nos mostra, por exemplo, que neste momento o mercado é vendedor”, conclui.Ferramenta ASG desenvolvida por Sérgio Gargantini – placar estatísticoRegiões e execuçãoDo lado direito da tela, a ASG concentra o operacional da ferramenta, organizando o gráfico em regiões específicas onde o trader deve atuar. Essas zonas são definidas a partir de pontos de interesse real do mercado, onde houve disputa relevante entre compradores e vendedores. “Essas regiões são as melhores, assim, para operar”, afirma.Além disso, a ferramenta deixa claro onde não operar, evitando um dos erros mais comuns do varejo: entrar no final do movimento. Nesse sentido, Gargantini chama atenção para a lógica de alvo. “Eu sempre ensino para que eles nunca façam a venda onde é o alvo de quem está já na venda”, alerta.Na prática, isso significa que muitos traders acabam executando exatamente no momento em que players maiores estão realizando lucro. Esse comportamento gera operações de baixa eficiência e stops recorrentes. “O cara vende muito mal”, explica.Outro ponto relevante é a leitura de polaridade e transição de fluxo dentro dessas regiões. A ASG utiliza alertas visuais para indicar possíveis mudanças de comportamento do mercado. “Começou a piscar o amarelinho, é um farol”, observa.Nesse contexto, o amarelo no gráfico de cima funciona como um aviso de desaceleração ou possível correção, indicando que o trader deve reduzir ou proteger posição. “Já começa a pôr o pé no freio”, orienta.A lógica operacional da ferramenta se apoia na combinação entre região e fluxo. Ou seja, não basta o preço chegar ao nível — é necessário confirmação. “O que vai confirmar? A micro”, conclui.Ferramenta ASG desenvolvida por Sérgio Gargantini – parte da direita onde se encontra o gráfico com as regiões para a atuação do traderCrescimento e próximos passosAtualmente, a ASG já reúne uma base relevante de usuários, refletindo o avanço do projeto no mercado de trading. Segundo Gargantini, o crescimento ocorreu principalmente após a fase de validação da ferramenta. “Assinantes, se for pegar todo mundo, tem mais de 1500”, afirma.Além disso, no modelo atual, o acesso acontece por meio de transmissão ao vivo, permitindo que os usuários acompanhem a leitura da ferramenta em tempo real ao longo do pregão. Dessa forma, o trader consegue operar com base na mesma estrutura apresentada na sala. “Hoje é mais fácil eu rodar no Zoom e o cara assiste”, explica.Nesse sentido, a performance está diretamente ligada ao uso correto da metodologia proposta pela ferramenta, especialmente na leitura de regiões e contexto de fluxo. Segundo o próprio Gargantini, a taxa de assertividade pode chegar a cerca de 75% para quem aplica corretamente esses critérios, reforçando o caráter operacional do sistema.No entanto, o projeto já tem evolução planejada para os próximos passos. A ideia é transformar a ASG em um aplicativo próprio, instalado diretamente no computador do usuário. Com isso, o acesso deixaria de depender da transmissão e passaria a ser totalmente individual. “Eu desenvolvi a ASG com o objetivo de ela se tornar um aplicativo”, afirma.Nesse sentido, a proposta futura vai além da usabilidade. Gargantini projeta um sistema mais flexível, no qual o próprio trader poderá selecionar os ativos que deseja operar dentro da plataforma. “A minha ideia é que o próprio cara chegue aqui, digite o ativo que ele quer, e a ferramenta sinaliza tudo para ele”, conclui.Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post Ferramenta ASG transforma leitura de fluxo em sinais objetivos para traders appeared first on InfoMoney.
