A largada do segundo turno colocou os partidos do Centrão no centro das articulações de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas os primeiros movimentos indicam uma vantagem de organização para o candidato do PL entre as siglas de centro e centro-direita.União Brasil e PP, que formam a federação União Progressista, preparam para quarta-feira (7) um evento com Flávio para oficializar apoio à sua candidatura. Antes disso, as duas legendas se reúnem nesta terça-feira (6), em Brasília, para sacramentar a decisão. A tendência de adesão já vinha sendo discutida desde o resultado do primeiro turno.Nesta terça, Flávio também foi a Goiânia para receber publicamente o apoio de Ronaldo Caiado (PSD), derrotado na disputa presidencial. O evento teve ainda a participação de Daniel Vilela (MDB), governador reeleito de Goiás, além de prefeitos e lideranças locais.O movimento mostra a estratégia adotada pela campanha do PL nos primeiros dias da nova fase para transformar rapidamente apoios individuais e alianças estaduais em manifestações públicas de partidos e lideranças nacionais.Tarcísio atua pelo RepublicanosOutro foco da ofensiva é o Republicanos, que manteve neutralidade no primeiro turno. Tarcísio de Freitas, reeleito governador de São Paulo, passou a atuar diretamente para levar a legenda ao palanque de Flávio. Ele já conversou com o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, e participou de reuniões para encaminhar uma definição.A direção do Republicanos deve discutir a posição entre esta terça e quarta-feira. Segundo a CNN, Tarcísio tenta convencer a legenda a rever a neutralidade adotada na primeira fase da eleição.A negociação tem uma dificuldade interna importante. O Republicanos abriga o presidente da Câmara, Hugo Motta, que manteve uma relação próxima com Lula e cujo pai, Nabor Wanderley, recebeu apoio do petista na eleição para o Senado na Paraíba. Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, afirmou que o apoio da legenda está “quase fechado”, mas admitiu dissidências.Tarcísio também ganhou peso na articulação por ter sido reeleito em primeiro turno em São Paulo. Além de atuar dentro do Republicanos, o governador afirmou que pretende ajudar Flávio na organização de eventos e agendas no maior colégio eleitoral do país.Leia tambémCampanha de Lula muda tom e adota “estratégia do medo” contra Flávio BolsonaroPeça do PT começou a circular nas redes sociais afirmando que ‘algumas perdas não têm volta’Caiado abre frente dentro do PSDA ida de Flávio a Goiás nesta terça tem outra função: mostrar que o candidato pode conquistar apoios relevantes mesmo em partidos que decidiram não adotar uma posição nacional.O PSD, de Gilberto Kassab, liberou seus integrantes no segundo turno. Caiado usará essa autonomia para apoiar Flávio, apesar de ter concorrido contra ele até domingo.Daniel Vilela, do MDB, também anunciou que participará do evento em Goiânia e apoiará o candidato do PL. O gesto evidencia como a disputa pelo Centrão ocorre também por meio das estruturas estaduais, mesmo quando as direções nacionais evitam uma posição única.No caso do MDB, a expectativa é justamente de manutenção da neutralidade nacional, com liberdade para as lideranças estaduais seguirem seus próprios acordos.União Brasil e PP devem formalizar apoioA adesão de União Brasil e PP tem peso maior por envolver uma definição institucional da federação. As duas siglas somam bancadas relevantes no Congresso e, embora tenham perdido espaço para o avanço do PL na eleição deste ano, continuarão ocupando posição importante na formação de maiorias parlamentares a partir de 2027.No PP, Ciro Nogueira passou a defender abertamente Flávio, de quem sempre foi considerado um aliado de primeira hora. A expectativa é que o anúncio seja feito conjuntamente com o União Brasil no evento previsto para quarta-feira.Lula tenta conter migração para FlávioDo lado petista, a prioridade passa por impedir que o movimento se transforme em uma adesão quase integral dos partidos de centro ao candidato do PL.O espaço de Lula está principalmente nas siglas que decidiram liberar seus integrantes, como PSD e MDB, além das alas de Republicanos, PP e União Brasil que mantêm relações com o governo federal.A dificuldade é que o resultado do primeiro turno alterou o ambiente das negociações. Flávio terminou à frente, com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula, e o PL também saiu fortalecido das eleições para Câmara e Senado. Dirigentes do Centrão passaram a considerar esse novo equilíbrio ao definir o posicionamento no segundo turno.A movimentação também antecipa negociações para 2027. União Brasil, PP e Republicanos terão juntos 128 deputados na próxima legislatura. Mesmo com a expansão do PL, nenhum dos dois campos terá sozinho os votos necessários para conduzir toda a agenda no Congresso.Por isso, os apoios anunciados nesta semana têm alcance além da campanha. A composição das alianças do segundo turno começa a indicar quais partidos podem formar a base parlamentar do próximo presidente — e qual espaço cada um pretende ocupar na relação com o Planalto.The post Flávio acelera ofensiva e leva vantagem na disputa pelo apoio do Centrão no 2º turno appeared first on InfoMoney.
