Flávio perde, mas PL sai maior das urnas; quem comandará a oposição? 

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A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25) encerra a primeira tentativa presidencial do senador e abre uma nova disputa pela liderança da direita brasileira. Embora tenha perdido a eleição, o partido de Jair Bolsonaro sairá fortalecido das urnas, com as maiores bancadas da Câmara e do Senado a partir de 2027. O resultado deixa Flávio em uma posição particular. O senador conquistou projeção nacional durante a campanha, mas ficará sem mandato parlamentar em fevereiro, quando termina seu período de oito anos no Senado. Ao mesmo tempo, outras lideranças da direita chegam fortalecidas ao pós-eleição. Entre elas estão o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Michelle Bolsonaro e dirigentes do PL interessados em influenciar a escolha do candidato presidencial de 2030. Michelle e Valdemar podem ganhar espaço  Para o cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o futuro do bolsonarismo será marcado pela disputa pela herança política de Jair Bolsonaro, independentemente do resultado da eleição presidencial. Chaloub destaca que o crescimento do PL ampliou a influência de seu presidente, Valdemar Costa Neto, sobre os rumos da direita. “O PL não é só do bolsonarismo, o PL é do bolsonarismo e do Valdemar”, afirmou. Segundo o pesquisador, a dimensão das bancadas eleitas e os recursos administrados pela legenda darão ao dirigente partidário instrumentos para participar diretamente das negociações sobre a sucessão presidencial. Nesse cenário, Michelle poderá ampliar sua influência. “Caso o Flávio não ganhe, uma grande vitoriosa da eleição pode ser a Michelle Bolsonaro, que agora vai ter o Valdemar da Costa Neto como aliado”, avaliou Chaloub. A relação entre Michelle e Flávio foi marcada por divergências durante a definição da candidatura presidencial. A disputa perdeu intensidade após a consolidação do nome do senador, mas poderá voltar a influenciar as articulações para 2030. Flávio ficará sem mandato parlamentar Flávio encerra seu mandato no Senado em 31 de janeiro de 2027. Como disputou a Presidência, não concorreu à reeleição pelo Rio de Janeiro. Será a primeira vez desde 2003, quando assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa fluminense, que o filho mais velho de Jair Bolsonaro ficará sem cargo eletivo. A ausência de mandato poderá reduzir sua participação direta nas negociações parlamentares, embora a votação presidencial e a relação com o pai continuem sendo ativos políticos relevantes. Flávio também terá de negociar seu espaço no PL com Valdemar Costa Neto, que comandará uma legenda com representação ampliada e acesso expressivo aos recursos públicos de financiamento partidário. A continuidade de seu protagonismo dependerá da capacidade de preservar as alianças formadas durante a campanha e de participar da organização da oposição ao quarto mandato de Lula. Tarcísio entra na disputa por 2030A posição de Tarcísio de Freitas será uma das principais variáveis na reorganização da direita. Reeleito governador de São Paulo no primeiro turno, o ex-ministro de Jair Bolsonaro permanecerá à frente do maior colégio eleitoral do país e continuará entre os nomes discutidos para a sucessão presidencial. Durante a campanha, Tarcísio abriu mão de disputar o Planalto e apoiou Flávio. A decisão, entretanto, não eliminou as especulações sobre uma candidatura própria em 2030. Chaloub avalia que a relação entre os dois poderá ganhar novos contornos após a eleição, especialmente porque o governador terá encerrado seu segundo mandato em São Paulo quando chegar a próxima disputa presidencial. O pesquisador também menciona a possibilidade de divergências entre diferentes integrantes da família Bolsonaro e aliados que desejam construir projetos políticos próprios. Bolsonarismo poderá enfrentar divisões internas O cientista político Murilo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB), também considera que o crescimento eleitoral da direita poderá provocar disputas internas.  Medeiros destaca que a expansão do grupo no Congresso e nos governos estaduais aumentou o número de lideranças interessadas em exercer influência nacional. Segundo ele, poderão surgir divisões entre setores mais pragmáticos e grupos que defendem uma atuação mais ideológica. A avaliação considera que o bolsonarismo reúne diferentes interesses políticos, representados por integrantes da família Bolsonaro, governadores, parlamentares e dirigentes partidários. A definição de uma candidatura para 2030 dependerá da capacidade dessas lideranças de construir acordos e evitar uma fragmentação da direita. PL terá força para fazer oposição a Lula Apesar da derrota presidencial, o PL terá instrumentos importantes de atuação no Congresso. A legenda elegeu 121 deputados federais e contará com 28 senadores na próxima legislatura, consolidando-se como a maior bancada individual nas duas Casas. No Senado, o partido terá condições de bloquear propostas de emenda à Constituição, que exigem pelo menos 49 votos favoráveis. Para aprovar mudanças constitucionais, Lula precisará negociar com integrantes de outras legendas e, eventualmente, com parlamentares do próprio PL. A bancada também poderá influenciar a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado, a composição de comissões e o andamento de projetos de interesse do governo. O tamanho da representação parlamentar coloca Valdemar Costa Neto em posição relevante nas negociações com outras forças políticas, inclusive na organização da oposição. Flávio poderá disputar novamente a Presidência? A votação conquistada por Flávio em 2026 poderá sustentar uma nova candidatura presidencial, mas a decisão dependerá das articulações dentro do PL e da relação entre as lideranças da direita nos próximos quatro anos. Durante a campanha, o senador conseguiu reunir apoios de partidos de centro-direita e ampliar sua interlocução com setores empresariais. A manutenção dessas alianças fora de um mandato eletivo será um dos desafios após a derrota. A disputa pelo apoio de Jair Bolsonaro também continuará relevante. Foi a escolha do ex-presidente que permitiu a Flávio consolidar sua candidatura, apesar das resistências iniciais de parte da direita. Agora, o PL terá de reorganizar sua atuação como principal força de oposição a Lula e administrar as ambições de lideranças que poderão disputar espaço na eleição seguinte. O fortalecimento parlamentar do partido amplia sua influência nacional, mas também torna mais relevante a disputa pelo comando de sua estrutura e pela escolha do candidato que representará a direita em 2030. The post Flávio perde, mas PL sai maior das urnas; quem comandará a oposição?  appeared first on InfoMoney.

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