GM perde espaço para a Toyota nos EUA à medida que preços altos remodelam mercado

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A Toyota e a Hyundai estão se aproximando das tradicionais montadoras de Detroit no mercado automotivo dos Estados Unidos, impulsionadas pela demanda por veículos híbridos e modelos mais acessíveis, em um momento em que as parcelas mensais médias de financiamento já superam US$ 800.A Toyota registrou um leve aumento nas vendas do terceiro trimestre, enquanto as entregas da General Motors (GM), há anos a líder de vendas no mercado americano, caíram 5,5%.O forte avanço das vendas de híbridos ajudou a Hyundai e sua afiliada Kia a alcançarem volumes recordes, o que pode colocar o grupo sul-coreano à frente da Ford no trimestre mais recente. A Ford deve divulgar seus dados de vendas nesta sexta-feira.Os resultados ilustram como a alta dos preços dos carros novos e dos combustíveis está alterando a dinâmica competitiva do segundo maior mercado automotivo do mundo.O preço médio de venda de veículos novos ultrapassou US$ 50 mil em agosto, enquanto a prestação mensal média provavelmente atingiu US$ 821 em setembro, um recorde para o mês, segundo a consultoria JD Power.Leia tambémSó 13% das empresas estão no caminho certo com IA, diz estudoPerto de 24% das empresas relataram economias de custo impulsionadas pela IA de pelo menos 10%, ⁠em comparação ​com apenas ​4% que relataram crescimento de receita na mesma proporçãoComércio global virou estratégia geopolítica e Brasil precisa da diplomacia do agroPaíses colocam questão dos alimentos como parte da segurança nacional e prática de tarifas tarifárias e não-tarifárias é constante; Brasil deve ter ação coordenada comercial e de convencimentoEmpresas como Toyota e Hyundai têm se beneficiado por oferecer diversos modelos com preços iniciais abaixo de US$ 30 mil, além de uma ampla linha de híbridos. Isso lhes deu vantagem sobre as rivais de Detroit, que possuem menos opções nas categorias atualmente mais procuradas pelos consumidores.“Os consumidores estão lidando com muita pressão de custos”, disse Randy Parker, CEO da operação da Hyundai na América do Norte. “Eles estão tentando descobrir como fazer o dinheiro render mais. Graças a Deus nunca abandonamos os carros de passeio.”As vendas da Toyota cresceram ligeiramente para mais de 633 mil veículos no terceiro trimestre, incluindo a divisão de luxo Lexus. Isso deixou a montadora japonesa próxima dos cerca de 671 mil veículos vendidos pela GM.As vendas de veículos eletrificados da Toyota, incluindo híbridos, dispararam quase 40% em setembro. Já o compacto Corolla teve crescimento de 5%, refletindo a busca dos consumidores por opções econômicas e eficientes.A Honda informou que suas entregas aumentaram 9,3% no terceiro trimestre, impulsionadas por um recorde de vendas de híbridos. O SUV compacto CR-V, vendido por menos de US$ 40 mil, teve crescimento de 17%, e as versões híbridas já representam mais da metade das vendas do modelo. Os sedãs Accord e Civic registraram seu melhor terceiro trimestre desde 2020.“Alguns consumidores que talvez não considerassem um sedã antes agora estão olhando para esses modelos, talvez por causa dos preços dos combustíveis”, disse Lance Woelfer, vice-presidente de vendas da Honda nos EUA.Um salto de 35% nas vendas de híbridos levou a Hyundai a registrar um terceiro trimestre recorde. Os modelos híbridos agora representam quase um terço das vendas da marca. A montadora também teve forte crescimento com o compacto Elantra e o sedã médio Sonata, ambos com preços iniciais abaixo de US$ 30 mil. As vendas do Sonata aumentaram 34% no trimestre.A taxa anualizada de vendas de veículos nos EUA provavelmente recuou 2,1%, para 16,3 milhões de unidades, no terceiro trimestre e caminha para encerrar o ano ligeiramente abaixo de 2025, segundo a consultoria Cox Automotive.Ainda assim, o desempenho tem sido melhor do que o esperado, destacando a resiliência da demanda, especialmente por veículos mais caros, que ajudam a compensar os efeitos da inflação e dos juros elevados.As vendas das picapes da GM cresceram, impulsionadas por um avanço de 13% da Chevrolet Silverado. A Chevrolet ofereceu financiamento com juros de 0% por cinco anos para reduzir os estoques da atual geração do modelo, que será substituída por uma nova versão ainda neste ano.Na Stellantis, as vendas da picape Ram 1500 dispararam 73% no trimestre, ajudando a compensar uma queda de 20% da marca Jeep. O Jeep Grand Cherokee teve retração de 30%, enquanto o novo SUV híbrido Jeep Cherokee mostrou crescimento nas vendas.“No momento, são os consumidores de maior renda que estão comprando picapes caras”, afirmou Sam Fiorani, vice-presidente de projeções globais da AutoForecast Solutions. “Há crescimento na faixa mais alta do mercado, mas perdemos os compradores que ganham menos de US$ 100 mil por ano.”Antes da pandemia, o preço médio de um veículo novo era inferior a US$ 40 mil. As montadoras também ofereciam descontos mais agressivos e uma quantidade maior de veículos compactos vendidos por menos de US$ 25 mil, o que ajudava a manter as vendas anuais acima de 17 milhões de unidades durante grande parte da década passada.Agora, os analistas projetam vendas de cerca de 16 milhões de veículos em 2026. Isso coloca as montadoras diante de uma escolha: manter os preços elevados para proteger as margens de lucro ou aumentar os incentivos para estimular a demanda.Até o momento, as fabricantes continuam evitando os grandes descontos comuns antes da pandemia. Ainda assim, os incentivos começaram a crescer, atingindo uma média de quase US$ 3.600 por veículo, alta de 7,3% em relação ao ano anterior, segundo a JD Power.Os descontos estão aumentando especialmente para veículos movidos a gasolina. Segundo a consultoria Mobility Global, esses modelos já são vendidos com descontos próximos de 9%, inclusive no segmento de luxo.“Os clientes estão observando o preço de tabela, mesmo no segmento premium”, afirmou Jason Hoff, CEO da Mercedes-Benz North America, durante um evento do setor em Detroit.Os analistas acreditavam que o mercado sofreria uma desaceleração muito mais forte diante da inflação e dos aumentos de juros promovidos pelo Federal Reserve. O fato de a demanda continuar relativamente firme mostra que os consumidores de maior poder aquisitivo permanecem ativos.Diante disso, Sam Fiorani elevou sua projeção de vendas para 16,2 milhões de veículos em 2026, ante estimativa anterior de 15,9 milhões. A Cox Automotive também revisou sua previsão para cima, apoiada na resistência dos consumidores, que se acostumaram aos preços mais altos e agora precisam substituir veículos mais antigos.“As pessoas ainda precisam de carros”, disse Erin Keating, analista executiva da Cox. “Os consumidores estão cansados de esperar que os veículos novos voltem a ficar mais acessíveis.”© 2026 Bloomberg L.P.The post GM perde espaço para a Toyota nos EUA à medida que preços altos remodelam mercado appeared first on InfoMoney.

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