Greve em 113 portos protesta contra guerras e afeta operações ao redor do mundo

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Portuários e marítimos realizaram nesta sexta-feira (30) uma greve coordenada em 113 portos de 22 países, em um movimento que afetou operações de carga e transporte marítimo em importantes centros logísticos da Europa, Norte da África e Ásia. Segundo a Reuters, os trabalhadores protestam contra o uso de portos para o transporte de armamentos destinados a zonas de conflito e denunciam o crescente número de mortes e feridos entre tripulantes em guerras que vão do Golfo Pérsico ao Mar Negro.A paralisação reuniu sindicatos de mais de 25 organizações e atingiu terminais em cidades como Pireu, Valência, Le Havre, Algeciras e Gênova, além dos portos de Tânger Med, no Marrocos, e Nhava Sheva, na Índia. Entre as reivindicações estão aumentos salariais, melhores condições de trabalho e o direito de contar com equipes médicas a bordo de embarcações que cruzam áreas de conflito. “Não trabalharemos para as guerras deles e não nos tornaremos alimento para seus canhões”, afirmou à Reuters Apostolos Kypraios, líder do sindicato grego dos engenheiros da marinha mercante, durante uma manifestação no porto de Pireu.Os sindicatos afirmam que os marítimos têm pago um preço elevado pela intensificação dos conflitos internacionais. Em comunicado, a entidade grega PENEN afirmou que centenas de trabalhadores do setor foram mortos ou ficaram gravemente feridos nos últimos anos. Segundo o grupo, apenas nos primeiros 21 dias de outubro foram registrados 28 ataques a embarcações no Golfo Pérsico, o maior número desde o início da guerra envolvendo o Irã. No Mar Negro, os sindicatos contabilizam 570 ataques a navios neste ano, com saldo de 40 mortos e centenas de feridos.Os protestos tiveram impacto direto na operação de alguns portos. Na Grécia, operações de carga foram interrompidas em Pireu e serviços de balsas para as ilhas do país foram suspensos após a adesão de cerca de 3 mil trabalhadores à greve. Na Índia, representantes sindicais afirmaram que cerca de 15 marítimos indianos morreram em decorrência da guerra com o Irã, enquanto outros permanecem retidos em embarcações devido às restrições de navegação. Também participaram dos protestos ativistas do movimento “No Harbour for Genocide”, que faz campanha para impedir o envio de cargas militares a portos israelenses. O grupo estima que a mobilização possa afetar aproximadamente 52 mil contêineres e cargas avaliadas em US$ 2,8 bilhões.Além da preocupação com a segurança, os trabalhadores afirmam sentir os efeitos econômicos dos conflitos. Segundo líderes sindicais, o aumento dos preços da energia e de bens essenciais reduziu o poder de compra da categoria em diversos países. A greve ocorre meses após sindicatos portuários de mais de 35 países europeus divulgarem a chamada Declaração de Istambul, documento que pede que instalações portuárias não sejam utilizadas para o transporte de armas destinadas a zonas de guerra. The post Greve em 113 portos protesta contra guerras e afeta operações ao redor do mundo appeared first on InfoMoney.

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