Guerra dos chips redefine poder global e desafia investidores da nova era, diz Morada

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A disputa pelo domínio do mercado de semicondutores tornou-se a “guerra fria do século XXI”, avaliam Alex Gonçalves e Murilo Arruda, sócios e gestores da Morada Capital. Para eles, a relevância geopolítica das empresas que produzem chips é tamanha que sua paralisação poderia abalar o funcionamento da economia global. “Se acabarem com a TSMC (TSMC34), eu não sei como o mundo vive”, afirmou Arruda, em referência à gigante taiwanesa Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, epicentro de tensões entre China e Estados Unidos.Segundo o gestor, o investimento em companhias como a TSMC não pode ser analisado apenas sob a ótica financeira, mas também pelo impacto geopolítico que carregam.“Tentamos misturar a parte endógena da empresa, o valor dela, com a parte exógena, que são as provocações externas que fazem muito preço nesse negócio”, explicou. A abordagem da Morada, acrescenta ele, é resultado da interação constante entre os temas globais analisados por Alex e as implicações microeconômicas estudadas por sua equipe.A dupla entende que a oscilação de preço das ações é guiada tanto pela mudança gradual dos fundamentos das empresas quanto pela volatilidade do custo de capital, impactada por juros e riscos globais. “Nada morre de um dia para o outro e nada fica muito bom de um dia para o outro”, pontuou Arruda. Separar esses vetores, defendem, é essencial para entender o verdadeiro sinal do mercado.É nesse ponto que o episódio do Stock Pickers, comandado por Lucas Collazo, ganha profundidade. A conversa com Gonçalves e Arruda mostra como a Morada Capital combina uma leitura global refinada com a capacidade de agir de forma contrária ao consenso, sempre que isso se mostra racional.Leia mais: Fed pode estar errando ao afrouxar política monetária, diz Bruno Serra, da Itaú AssetE também: Brasil segue em trajetória de dívida pública insustentável com juros elevadosA revolução da inteligência artificial no mercado financeiroEntre os temas centrais da entrevista, a inteligência artificial surge como um divisor de águas na produtividade e na análise de dados. Arruda lembra que começou a usar IA em 2021, quando percebeu que a tecnologia reduziria drasticamente a demanda por analistas.“O que levava semanas para tratar uma DRE [Demonstração do Resultado do Exercício], hoje você faz em 30 segundos”— Murilo Arruda, sócio e gestor da Morada Capital.Segundo ele, essa automação muda o papel do analista: “Você deixou de ser programador e virou gestor de projetos com várias estagiárias embaixo de você”, brincou. A transformação, na visão da Morada Capital, amplia a eficiência, mas exige atenção redobrada à segurança e à qualidade dos dados.Arruda cita Jensen Huang, CEO da Nvidia (NVDC34), para reforçar a magnitude das mudanças. “Pode aparecer um chip com custo marginal zero, mas a diferença de produtividade e consumo de energia ainda fará valer pagar caro pelo melhor produto”, afirmou, indicando que a revolução tecnológica deve fortalecer ainda mais empresas dominantes do setor.Essa dominância, porém, também traz riscos cíclicos. “A gente sabe que semicondutores são cíclicos, mas essa força atual é tão grande que talvez o ciclo se estenda por bastante tempo”, observou. A análise da Morada foca em identificar o real tamanho de mercado e se uma empresa pode ser considerada monopolista — um critério chave em suas decisões de investimento.Leia tambémEUA têm apagão estatístico e Brasil mostra sinais de desaceleração, diz Megale, da XPA situação atual é agravada pelo shutdown nos EUA, que interrompe a coleta de dados econômicos, criando um “apagão estatístico”.Isenção do IR deve adiar corte da Selic para abril de 2026, projeta Reach CapitalA expectativa por aumento no consumo deverá elevar a demanda agregada em 0,3% do PIB, segundo o economista-chefe da Reach Capital, Igor BarenboimO filtro dos campeões e a busca por clareza nas decisõesAo contrário de quem busca oportunidades em apostas arriscadas, a Morada Capital prefere concentrar esforços em companhias líderes de seus setores. “A gente faz um filtro do S&P do que realmente é dominante”, explicou Arruda. Para ele, clareza e simplicidade são virtudes no processo de decisão: “Se está difícil demais de entender, a gente ‘dropa’. O Drunkenmiller [Stanley Freeman Druckenmiller, investidor bilionário americano, filantropo e ex-gestor de fundos de hedge] fala que ganhou 120% do dinheiro em trades óbvios e perdeu 20% no resto.”O gestor citou como exemplo a análise da United Health, que parecia promissora à primeira vista, mas se mostrou complexa demais. “Era um negócio cheio de subsídios cruzados e variáveis difíceis de mensurar. Decidimos sair”, contou. Essa filosofia reflete a prioridade da casa: preservar tempo e foco, recursos considerados escassos no mundo dos investimentos.“Nosso recurso mais escasso é o tempo, então priorizar é essencial”, resumiu Arruda. Mais do que performance de ações, os profissionais são avaliados pela qualidade das ideias e pela contribuição no debate.Essa dinâmica visa eliminar o risco político e fortalecer a meritocracia intelectual dentro da gestora. “O ser humano é um bicho político. A gente quis eliminar isso da estrutura”, explicou.The post Guerra dos chips redefine poder global e desafia investidores da nova era, diz Morada appeared first on InfoMoney.

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