Irã ataca bases americanas; Arábia Saudita se junta aos EUA em ataques no Iraque

Blog

(Bloomberg) –Durante a noite, o Irã atacou forças americanas e os Estados Unidos e a Arábia Saudita atingiram milícias apoiadas por Teerã no Iraque, pondo fim abruptamente a uma trégua de hostilidades que durava dias.Os Estados Unidos e o Irã suspenderam os ataques no final da semana passada para dar outra chance à diplomacia, o que levou a uma queda significativa nos preços da energia.Leia tambémDow Jones Futuro opera perto da estabilidade à espera da decisão do FedOs investidores também aguardam os resultados das gigantes da tecnologia Microsoft e Meta PlatformsIrã propõe plano temporário para Ormuz que confere controle sobre rotas de trânsitoIrã propõe plano temporário para Estreito de Ormuz que lhe confere maior controle sobre as rotas de trânsitoNo entanto, no final da terça-feira, a Arábia Saudita afirmou ter interceptado drones lançados por grupos iraquianos que tinham como alvo suas instalações petrolíferas pelo segundo dia consecutivo. Pouco depois, os militares dos EUA disseram que a Guarda Revolucionária Islâmica disparou vários mísseis balísticos do Irã contra tropas americanas na região, com todos os projéteis sendo interceptados. A mídia iraniana afirmou que a Guarda Revolucionária atacou uma base na Jordânia em resposta a “ações agressivas dos EUA”, sem fornecer detalhes.Os Estados Unidos e a Arábia Saudita atacaram conjuntamente armas e outros locais pertencentes a “terroristas alinhados ao Irã” no Iraque, segundo o exército americano. De acordo com os americanos, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) teria ordenado que essas mesmas milícias lançassem mais de 30 ataques com drones nos últimos dias.Os recentes confrontos demonstram o quão distantes o Irã e os EUA estão de reiniciar formalmente as negociações de paz, muito menos de chegar a um acordo para encerrar permanentemente a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.O conflito já dura seis meses e está causando muita frustração ao presidente dos EUA, Donald Trump. Com a disparada dos preços da gasolina nos EUA e a crescente oposição dos americanos à guerra, sua popularidade está sendo prejudicada às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.A série de ataques ocorreu horas depois de Trump ter dito que preferia evitar a escalada do conflito e ter se mostrado otimista quanto às chances de um avanço diplomático.O petróleo teve uma alta expressiva na quarta-feira, com o Brent subindo quase 4%, para US$ 87,10 o barril. Isso eleva seu ganho acumulado em julho para 20%, embora ainda esteja bem abaixo do patamar de US$ 100 atingido na quinta-feira, pouco antes de os Estados Unidos e o Irã suspenderem os ataques mútuos.O Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado, com quase nenhum navio transitando por ali — pelo menos nenhum com seus transponders ligados. No início da quarta-feira, a agência de notícias estatal iraniana IRIB informou que a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) alegou ter “atingido e imobilizado” três petroleiros nas últimas horas. Segundo a reportagem, eles estavam “navegando por uma rota insegura e ilegal”.As negociações entre o Irã e Omã para aumentar o tráfego marítimo no Golfo Pérsico, uma via vital para o fluxo de energia e outras commodities como alumínio e hélio, parecem ter fracassado. Segundo a mídia iraniana, negociadores iranianos rejeitaram uma proposta omanita para a abertura de um canal controlado igualmente por ambos os países. Em vez disso, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que Teerã deseja ter controle exclusivo sobre as embarcações que entram no Golfo Pérsico.Omã esperava poder fazer uma declaração nos próximos dias sinalizando progresso, informou a Bloomberg nesta segunda-feira. Autoridades omanitas acreditam que um acordo de transporte marítimo com o Irã permitiria que Washington e Teerã voltassem à mesa de negociações.Milícias iraquianas entram na lutaA decisão das milícias iraquianas de se juntarem ao conflito aumenta o risco de uma nova frente se abrir e da guerra se intensificar. Não se sabe que a Arábia Saudita tenha atacado território iraquiano nos últimos anos.O Irã financia e treina grupos militantes xiitas no Iraque, seu vizinho ocidental, desde cerca de 2003, quando a invasão dos EUA derrubou o ditador Saddam Hussein e mergulhou o país árabe no caos.Washington está tentando diluir a influência do Irã sobre esses grupos. Este mês, na Casa Branca, Trump recebeu o novo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, que prometeu tentar desarmar as milícias . Elas continuam poderosas — tanto política quanto militarmente — e muitas delas têm membros que são parlamentares eleitos.O Irã negou qualquer envolvimento nos ataques de grupos iraquianos contra a Arábia Saudita. “Atribuir todas as ações contra os interesses dos EUA na região à República Islâmica do Irã é um grande erro de cálculo”, afirmou uma fonte não identificada, segundo a agência de notícias IRIB.As ações das milícias iraquianas seguem-se a ataques contra instalações petrolíferas e navios sauditas no Mar Vermelho, perpetrados pelos houthis, um grupo apoiado pelo Irã e baseado no Iêmen. A organização islâmica anunciou um bloqueio aos portos sauditas e atacou alguns navios na semana passada.Em seguida, as forças do reino atacaram posições militares dos houthis, e o grupo retaliou disparando drones e mísseis contra as cidades portuárias sauditas de Yanbu e Jizan no sábado.As operações dos Houthis abriram uma nova frente na guerra e podem efetivamente fechar o estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho, outro importante ponto de estrangulamento para os mercados globais de petróleo e gás natural liquefeito.Embora alguns navios ainda estejam atravessando o Estreito de Bab el-Mandeb, vários outros já deram meia-volta.© 2026 Bloomberg LPThe post Irã ataca bases americanas; Arábia Saudita se junta aos EUA em ataques no Iraque appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *