Legado e sucessão: especialistas explicam por onde começar o planejamento patrimonial

Blog

O primeiro passo para planejar o futuro e o legado patrimonial é definir onde se quer chegar, entender a estrutura familiar e patrimonial e identificar os riscos capazes de comprometer esse objetivo, segundo especialistas do setor.As declarações foram dadas nesta quinta-feira (23), durante o painel “O futuro do patrimônio: como planejar hoje o legado de amanhã”, realizado no palco Pop-Up InfoMoney, no primeiro dia da Expert XP 2026, que acontece até sábado (25) no São Paulo Expo, em São Paulo.O debate reuniu Thiago Levy, diretor de Parcerias Financeiras da MAG Seguros, Fabio Marinho, superintendente de Negócios da MAG Seguros, e Carlos Eduardo Fernandes, head de Seguros da Blue3 Investimentos. O painel foi moderado pela repórter do InfoMoney, Jamille Niero. “É preciso entender onde se quer chegar, quais são as suas necessidades e o que pode acontecer que vai te impedir de chegar lá. E pensar em proteger tudo aquilo que não se tem controle”, afirmou Marinho. Para Levy, o planejamento deve começar pela compreensão dos desejos do cliente e das necessidades da família. “O primeiro passo é pensar nos seus desejos, mas entender também o lado da sua família. A partir daí, a gente começa a pensar nas soluções e ferramentas.”Fernandes resumiu o início do processo de forma mais direta: “O primeiro passo é marcar uma reunião com o assessor.”A discussão sobre o planejamento do legado também passa pela mudança na forma como o seguro de vida é utilizado. Para os especialistas, a proteção não deve ser restrita à cobertura por morte. O produto pode ser empregado para proteger renda, oferecer liquidez e complementar outras estruturas de planejamento.Quer saber mais sobre seguros? Inscreva-se na Segura Essa: a newsletter de Seguros do InfoMoneySeguro é uma das várias soluçõesUm dos erros mais comuns, segundo Levy, é limitar o seguro de vida à indenização em caso de morte. Para ele, o assessor deve considerar os diferentes riscos aos quais o cliente está exposto e que podem comprometer seus objetivos financeiros. A perda de renda, por exemplo, pode comprometer o patrimônio e os planos financeiros de uma família, especialmente em casos de invalidez de longo prazo. Por isso, segundo Marinho, o planejamento precisa levar em conta o perfil e a realidade de cada cliente, a “curto, médio e longo prazo”.“Dependendo do patrimônio, vai precisar lançar mão de ferramentas mais robustas. A ideia é que o patrimônio siga de uma forma harmoniosa. O seguro de vida às vezes cabe, mas vamos precisar entender a estrutura familiar, a empresa, se está na pessoa física ou na jurídica”, afirmou Marinho. Essa análise também deve considerar a situação profissional do segurado. Um trabalhador autônomo pode estar exposto a riscos diferentes daqueles enfrentados por um empregado com carteira assinada. A partir desse diagnóstico, o seguro de vida pode ser combinado com outras ferramentas de planejamento patrimonial e sucessório. Holdings, acordos societários e testamentos ajudam a estabelecer regras e organizar a transmissão dos bens. O seguro, por sua vez, pode fornecer a liquidez necessária para que esse planejamento seja executado.“Não adianta ter tudo organizado, como holdings, acordos de sócio, se não tiver dinheiro para pagar a conta”, pontuou Fernandes.Marinho ressaltou que o seguro de vida traz a liquidez necessária para evitar problemas jurídicos. “Ele vem com esse recurso para equalizar questões entre as partes”, disse.Leia também: Seguro de vida para idosos vale a pena? Veja quanto custa contratar após os 60 anosReforma tributária e longevidade mudam planejamentoAs mudanças tributárias também foram apontadas pelos especialistas como um motivo para revisar planejamentos antigos.“Estamos vivendo um momento de adequação. Quem montou seu planejamento fiscal há algum tempo já precisa rever”, disse Marinho.Na avaliação dele, o seguro pode ser utilizado para gerar recursos destinados ao pagamento de tributos e outras despesas do processo de transmissão patrimonial. “Em vez de usar o patrimônio para pagar o imposto e corroer esse patrimônio, você usa o dinheiro do seguro.”Fernandes acrescentou que o cálculo precisa considerar a valorização dos bens e a duração do processo. Um inventário pode se estender por anos, enquanto as despesas continuam sendo geradas.“A gente faz todo um cálculo para cobrir o patrimônio, mas, ao longo do processo de inventário, que pode levar até três anos, as contas continuam. Quando for mensurar, tem levar isso em consideração para se ter uma margem”, afirmou.Leia mais: Como a IA acelera o pagamento de indenizações e reduz a burocracia no seguroTecnologia pode ampliar personalizaçãoA inteligência artificial já é utilizada em diferentes etapas da operação das seguradoras, segundo Levy. Entre as aplicações citadas estão a transcrição de documentos, a eficiência em cadastros e a indicação de produtos conforme o perfil do cliente.“A gente acredita que a IA vai gerar a escala que a gente precisa para essa eficiência. Ela está permeando toda a nossa operação”, salientou.A tecnologia também pode contribuir para uma análise mais individualizada dos riscos e, no futuro, influenciar a adequação dos preços. “A gente tem a impressão de que vai ser mais barato, mas, sem dúvida, iremos caminhar para preços mais adequados”, disse Levy.Com o tempo e os avanços, uma análise de risco, segundo ele, não vai considerar apenas a idade. “Não é incomum uma pessoa ter um risco maior aos 77 do que uma pessoa aos 60. Mas uma pessoa aos 70 pode ser um risco melhor do que uma pessoa de 45 que não se cuida. É aí que entra essa análise personalizada do risco.”Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!The post Legado e sucessão: especialistas explicam por onde começar o planejamento patrimonial appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *