Embora o cenário atual para o agronegócio seja de margens apertadas e custo financeiro elevado, há muita oportunidade para gestores fazerem negócios com produtores e empresas que souberam fazer o dever de casa. Ou seja, é o momento de olhar mais a liquidez do que a geração de caixa. Esse foi o recado passado durante o painel “Do agronegócio a Faria Lima: o futuro do agronegócio brasileiro”, na Expert XP 2026.Paulo Mesquita, sócio e gestor do núcleo de Agro da Riza Asset, gestora independente que hoje tem cerca de R$ 25 bilhões sob gestão, destacou que a empresa tem aproveitado seu perfil historicamente conservador, de nunca tomar riscos elevados ou operar com spreads altos. “A gente é bastante conservador e busca operações com grupos sólidos, que têm bons controles e que conseguem ter boas parceiras com o mercado”, explica.Um exemplo de como a gestora tem conseguido navegar bem nesse momento a estratégia adotada na frente de negócios com terras. Mesquita cita o modelo preferido da gestora nesse campo, o de “sale & leaseback”, com a compra da terra e arrendamento para o mesmo produtor que a vendeu.Leia também: BB diz que é impossível estimar impacto de MP de renegociação de crédito rural“Nesse tipo de operação não vou conseguir CDI+ 6%, mas opero em CDI+2%. Dá opção de recompra ao produtor, e ficamos fora de movimentos de crédito estressado”, detalhou. O “segredo” é buscar terra boa, com boas taxas e grupos sólidos, que tendem a recomprar essa terra ao longo do tempo.A estratégia da XP Asset para os produtos de Agro também é de buscar “uma segurança adicional”, escolhendo bem os parceiros, afirmou Gustavo Gomes, gestor de Fiagro na XP Asset. “Parece um contrassenso, mas temos observados muita oportunidade nesse momento. Tentamos viabilizar operação com bons parceiros. E estamos ganhando market share, conseguindo fazer negócios com empresas e produtores que há dois anos a gente não conseguia”, disse.O foco, disse é priorizar produtor ou empresa que tem liquidez. “Liquidez é mais importante até que geração de caixa.”Pedro Freitas, sócio e head de Agro na XP, que mediou o debate, concorda. Ele disse que é importante compreender que o setor é cíclico, portanto, é essencial observar o histórico de liquidez do cliente. Ele deu como exemplo o setor sucroenergético, que viveu anos muito bons e agora está sofrendo com margens menores. “A maioria fez o dever de casa. Se eu faço operação de cinco anos, um ou dois serão mais apertados, principalmente na soja e no milho”, comentou Gomes.Leia também: Fiagro VGIA11 desaba 25% após inadimplência de CRA; gestora vê reação “irracional”Sobre o futuro, Mesquista, da Riza, disse continuar otimista. Ele lembrou que a produção de soja, milho, algodão, café e açúcar brasileira é a mais barata no mundo. “Se está ruim para a gente, está ruim para nossos competidores também”, comentou, destacando que o custo do arrendamento no Brasil mais competitivo ainda. “A questão é de balanço de oferta e demanda. O Brasil vai ser o grande vencedor no final”, afirmo, ponderando que o grande problema é o custo de capital daqui algumas burocracias.Freitas foi na mesma linha. “O preço da commodity é dado. Tem que ver quem produz mais e mais barato. E, no Brasil, produção naquele espaço é maior e mais barata”, disse, lembrando que o cenário é de população mundial continuando a crescer, o que eleva a demanda por alimentos e energia. E que o Brasil também se destaca em disponibilidade de terra e de recursos hídricos.The post Oportunidades no agro: gestor deve olhar mais para a liquidez do que para o caixa appeared first on InfoMoney.
