O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu, nesta terça-feira (2), a nova ofensiva comercial dos Estados Unidos contra produtos brasileiros à atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).Ao comentar a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar tarifas de 25% sobre importações brasileiras, Lula afirmou que integrantes da família Bolsonaro teriam incentivado medidas do governo Donald Trump contra o Brasil.Sem citar apenas a investigação comercial divulgada pelos americanos, o presidente também resgatou o embate ocorrido em 2025, quando Washington anunciou uma sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros, posteriormente alvo de negociações diplomáticas entre os dois países.“Os ‘meninos do Bolsonaro’, um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025: ‘Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo’. Queremos o Magnitsky”, afirmou Lula durante discurso em Catalão (GO).Leia tambémGoverno vê margem para negociação após EUA ameaçarem tarifa de 25% ao BrasilItamaraty e MDIC mantiveram conversas com representantes de Trump antes da divulgação de relatório que classificou práticas brasileiras como desleaisEUA acusam Pix gratuito de forçar rivais americanos a subsidiar ‘campeão nacional’Veja os principais argumentos do Escritório do Representante do Comércio americano para condenar o sistema de pagamentos instantâneo do BrasilO presidente elevou o tom das críticas ao abordar a atuação dos filhos do ex-presidente junto à administração republicana.“A gente está lidando com a pior espécie de ser humano. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente teve com essa família metralha. Ele [Flávio] hoje foi dizer que não falou nada. Ele foi pedir arrego”, declarou.Disputa política entra no debate comercialAs declarações ocorrem horas após a divulgação do relatório da Seção 301, investigação conduzida pelo USTR que concluiu que determinadas políticas brasileiras prejudicam interesses econômicos dos Estados Unidos.O documento cita temas como o funcionamento do Pix, comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e desmatamento ilegal para justificar a proposta de sanções comerciais.A recomendação apresentada pelo órgão ainda não entrou em vigor. Pela legislação americana, o processo seguirá para consulta pública e análise da Casa Branca antes de uma decisão definitiva do presidente Donald Trump.O governo americano também divulgou uma lista de exceções para setores considerados estratégicos, incluindo alguns tipos de carne, frutas, café, aeronaves e minerais críticos.Lula vê motivação políticaDurante o discurso, Lula sugeriu que a movimentação americana tem menos relação com os argumentos apresentados no relatório e mais conexão com articulações políticas realizadas por aliados de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.Segundo o presidente, visitas recentes de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro a integrantes do governo Trump ajudaram a alimentar a pressão exercida contra o Brasil.A fala ocorre dias depois de Flávio ter se reunido em Washington com Trump, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. O senador afirmou que pediu aos americanos que evitassem aplicar sanções contra empresas brasileiras.Apesar disso, o pré-candidato do PL também declarou que as medidas seriam consequência da relação deteriorada entre Trump e Lula, e não um movimento contra o setor produtivo brasileiro.Tema pode ganhar peso eleitoralA nova disputa comercial surge em um momento em que governo e oposição já buscam transformar temas internacionais em ativos políticos para a campanha presidencial.Nos bastidores do Planalto, auxiliares de Lula avaliam que a pressão americana pode reforçar a narrativa de defesa da soberania nacional diante de interferências externas. Do outro lado, aliados de Bolsonaro tentam associar as tensões comerciais à política externa conduzida pelo governo petista.The post Lula associa filhos de Bolsonaro a nova ameaça tarifária dos EUA e sobe o tom appeared first on InfoMoney.
