Embora a queda de 0,4% no desempenho do setor de serviços em maio, divulgada nesta quarta-feira (15) pelo IBGE, possa sugerir uma desaceleração da atividade mais acelerada, os serviços prestados às famílias continuaram a mostrar força e revisões para cima da PMS dos meses anteriores mantiveram entre os economistas projeções menos pessimistas para o restante do ano.Os especialistas de casas de investimentos e bancos citaram entre os fatores que embasam essa avaliação de desaceleração moderada as revisões para cima dos meses anteriores e os efeitos benéficos do mercado de trabalho aquecido sobre a renda, embora os juros ainda altos reduzam o apetite para gastos discricionários.Leia também: Setor de serviços recua 0,4% em maio e frustra projeções de leve altaNa opinião de Rodolfo Margato e Alexandre Maluf, economistas da XP, no geral, a composição da PMS de maio foi benigna para o PIB de Serviços. “Transportes e Armazenagem, que trouxeram resultados fracos no mês, pesam pouco nas Contas Nacionais Trimestrais. Por outro lado, Serviços Prestados às Famílias e, principalmente, Serviços Profissionais, Administrativos e Complementares vieram fortes”, comentaramA receita real do setor de serviços caiu 0,4% na comparação mensal em maio, retração mais intensa que a prevista pela XP (-0,2%) e do consenso de mercado (-0,1%). Mas na comparação com o mesmo mês de 2025, a receita real avançou 0,4%, em linha com as expectativas de mercado (0,5%).Os especialistas destacam as revisões para cima nos três meses anteriores (alta de 0,2 p.p. em cada um, na comparação anual). “Portanto, embora o dado de maio tenha surpreendido negativamente, o efeito acumulado das revisões recentes é positivo para o setor de serviços em 2026”, escreveram, destacando que o carry-over estatístico para o 2° trimestre ficou em 0,2%.Eles destacaram ainda que os “Serviços Prestados às Famílias” continuaram mostrando números encorajadores — com alta anual de 3,1% e mensal de 0,2%. “Essa categoria ainda se beneficia de um mercado de trabalho resiliente e dos ganhos de renda real das famílias, embora o alto custo do serviço da dívida siga limitando uma recuperação mais forte do consumo discricionário”, explicaram.Do lado negativo, foram citados os serviços de “Transportes, Armazenagem e Correio”, que recuaram 1% nomes e 4,2% na comparação anual, subtraindo 1,5 p.p. do crescimento anual do índice cheio.“No geral, seguimos vendo crescimento moderado do setor de serviços à frente. Por um lado, o mercado de trabalho permanece apertado, e um conjunto amplo de medidas de estímulo deve sustentar a demanda das famílias no curto prazo. Por outro, os juros elevados e o aumento do peso do serviço da dívida das famílias seguem como ventos contrários importantes, limitando uma expansão mais robusta das despesas com serviços”, analisaram Margato e MalufO XP Tracker para o crescimento do PIB no 2º trimestre avançou ligeiramente, de 0,49% para 0,51%, na comparação trimestral. A expectativa para o crescimento do PIB em 2026, no entanto, permanece em 2,0%.Inflação x rendaPara Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado de maio reforça a leitura de desaceleração gradual da atividade de serviços. “Apesar da elevada volatilidade recente dos dados marginais, com queda expressiva em março, recuperação forte em abril e novo recuo em maio, a tendência subjacente parece apontar para pequena desaceleração ao longo do segundo trimestre”, previu.O ASA segue projetando expansão de 0,5% do PIB no segundo trimestre, abaixo do ritmo observado no primeiro trimestre.A opinião de Matheus Pizzani, economista do PicPay, é que o dado mostrou um cenário mais frágil que o esperado. “O menor ímpeto do consumo de serviços por parte das famílias impactou indiretamente o comportamento de outros grupos, como no caso dos serviços de transporte, que recuaram 1% na medição de maio, resultado mais que suficiente para dissipar o crescimento de 0,9% do mês anterior”, comparou.Mas, embora admita que o conjunto de dados acima possa sugerir uma inflexão mais intensa da atividade econômica em direção ao campo recessivo, Pizzani ponderou que a PMS é referente a um período que, além de não contar com sazonalidades benignas significativas como acontece em abril e junho, foi também um dos mais afetados pela rápida escalada da inflação e corrosão da confiança dos consumidores.“Neste sentido, a inflação ainda elevada nos setores de combustível e, principalmente, alimentação, parecem ter proporcionado um balanceamento da cesta de consumo das famílias em direção a itens essenciais, como os alimentos, e forte redução do consumo de serviços”, disse.Segundo ele, há espaço para correções em alguns dos movimentos de retração observados na PMS de maio, que podem ser catalisados pelos efeitos sazonais benignos característicos do mês de junho. “Não alteramos nossa perspectiva para o PIB do segundo trimestre, com projeção de crescimento de 0,4%. Para 2026, seguimos projetando alta de 1,7% do PIB.”Já Claudia Moreno, economista do C6 Bank, comentou que os dados recentes mostram é que o setor de serviços está registrando alguma moderação, permanecendo mais próximo da estabilidade. “Na média móvel dos três meses até maio, o setor acumula leve queda de 0,1% ante o trimestre até abril.”Para ela dados dos serviços até maio indicam um desempenho mais fraco do que o projetado, com alta nos serviços prestados às famílias, mas tendência de queda nos serviços de transportes. Ele acredita que o mercado de trabalho aquecido, a expansão da renda dos trabalhadores e as medidas de estímulo ao crédito adotadas pelo governo podem oferecer algum suporte ao setor ao longo de 2026.“A economia brasileira continua dando sinais de desaceleração gradual. Mesmo com os cortes na Selic neste ano, os juros continuam elevados e contribuindo para frear a atividade. Não esperamos, contudo, uma perda de fôlego mais intensa, uma vez que o mercado de trabalho sólido, o crescimento da renda média e as medidas promovidas pelo governo têm ajudado a sustentar a economia. Nossa projeção é de que o PIB cresça 1,7% em 2026”, estimou.The post Mesmo com maio mais fraco, serviços às famílias “seguram” projeções para o setor appeared first on InfoMoney.
