O JPMorgan elevou a recomendação para as ações da Minerva (BEEF3) de neutra para overweight (exposição acima da média, equivalente à compra), adotando uma visão mais construtiva para a companhia após a forte desvalorização dos papéis em 2026. O banco também fixou preço-alvo de R$ 5,50 para dezembro de 2027. Os ativos BEEF3 fecharam com ganhos de 2,29%, a R$ 3,58, entre os poucos ganhos do Ibovespa nesta quarta-feira (3), ainda que longe das máximas.Segundo os analistas, a decisão reflete uma abordagem “contracíclica”, considerando que grande parte das notícias negativas já foi incorporada aos preços, após uma queda de cerca de 38% no acumulado do ano. A Minerva tem enfrentado um ambiente desafiador, marcado sobretudo por fatores externos. Entre eles, o JPMorgan destaca a imposição de cotas pela China — principal destino das exportações brasileiras de carne bovina —, além de um cenário operacional mais pressionado. Dados do relatório mostram que o Brasil deve perder participação nas importações chinesas em 2026, com redução de cerca de 32% nos volumes frente ao ano anterior, refletindo as novas restrições comerciais. Apesar disso, o banco avalia que o pior momento pode já ter ficado para trás, o que abre espaço para uma reprecificação das ações caso o cenário se estabilize. Perspectivas financeiras mistas O JPMorgan revisou suas estimativas para a companhia, com expectativas mais conservadoras no curto prazo. Para 2026, o lucro por ação ajustado foi reduzido para R$ 0,60, enquanto a projeção para 2027 é de R$ 1,03. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai 1% com peso de tarifas dos EUA e geopolíticaBolsas dos EUA recuam com guerra no Oriente Médio pesando sobre petróleo e títulos públicosEm termos operacionais, a projeção é de que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado caia 6% em 2026, para cerca de R$ 4,5 bilhões, e permanecer relativamente estável em 2027, também em torno de R$ 4,4 bilhões. A receita líquida, por sua vez, deve somar aproximadamente R$ 56 bilhões em 2026 e recuar levemente no ano seguinte, antes de voltar a crescer.Ainda assim, a instituição vê melhora gradual ao longo do tempo, com expansão de margens e recuperação do lucro líquido a partir de 2027, apoiadas por ajustes operacionais e normalização de condições de mercado. Alavancagem e execução seguem no radar Um dos principais pontos de atenção do JPMorgan é o nível de endividamento. A relação dívida líquida/EBITDA deve encerrar o período em torno de 2,8 vezes, podendo chegar a 4,5 vezes ao considerar métricas ampliadas de alavancagem.Além disso, o banco ressalta a baixa visibilidade sobre capital de giro como um risco relevante para a tese de investimento, especialmente em um ambiente de maior volatilidade nos preços de commodities e demanda externa. Entre os fatores que podem limitar a valorização das ações, o JPMorgan cita: valorização do real — cada apreciação de 10% pode reduzir o Ebitda em cerca de 6%; alta nos preços do gado, que representam cerca de 85% dos custos da companhia; demanda mais fraca por carne bovina no mercado externo; possíveis restrições comerciais adicionais; riscos sanitários, como febre aftosa ou doença da vaca louca. View this post on Instagram Apesar dos desafios, o banco considera que a assimetria de risco-retorno se tornou mais favorável após a forte correção dos papéis. A recomendação de compra reflete a visão de que a Minerva pode se beneficiar de uma eventual recuperação cíclica do setor e de melhora gradual nos fundamentos operacionais. The post Minerva: JPMorgan aposta em recuperação após queda e eleva BEEF3 a compra; ação sobe appeared first on InfoMoney.
