‘Nem todo dividendo é igual’: o que FIIs, Fiagros e FI-Infra ensinam sobre risco

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Os fundos de investimento voltados para os setores imobiliário, agropecuário e de infraestrutura vêm ampliando sua participação nas carteiras dos investidores brasileiros. Embora FIIs, Fiagros e FI-Infra compartilhem algumas características — como negociação em Bolsa e distribuição periódica de rendimentos — especialistas afirmam que as semelhanças terminam aí.Segundo Gabriel Pereira, head de fundos imobiliários da AVIN, um dos erros mais comuns é tratar os três produtos como equivalentes. “Apesar de todos serem fundos fechados listados em Bolsa com isenção de IR nos rendimentos para pessoa física, eles investem em ativos completamente distintos”, afirma.Enquanto os FIIs estão ligados ao mercado imobiliário, os Fiagros concentram exposição ao agronegócio e os FI-Infra investem principalmente em debêntures de setores como energia, saneamento e logística.Na avaliação do especialista, o ambiente atual de juros elevados exige uma atenção ainda maior à qualidade dos ativos. “Ativos high grade em todos os segmentos ganham mais notoriedade neste cenário”, diz.Ele ressalta que fundos de crédito atrelados ao CDI tendem a apresentar menor volatilidade no curto prazo, enquanto fundos imobiliários de tijolo podem oferecer maior potencial de valorização em um eventual ciclo de queda de juros.Leia Mais: Fundos imobiliários “casca” escondem riscos ou criam valor para o cotista?Infraestrutura, imóveis e agronegócio exigem análises diferentesNo universo dos FI-Infra, o risco está fortemente ligado à natureza dos projetos financiados. Murilo Loureiro, sócio da RB Asset e responsável pela gestão de fundos de debêntures incentivadas, explica que a dinâmica é diferente daquela observada em empresas tradicionais.“O risco de um projeto de infraestrutura muda ao longo da vida do ativo”, afirma. Durante a fase de construção, os principais desafios estão relacionados à execução das obras, controle de custos e obtenção de licenças. Após a entrada em operação, o foco passa a ser a eficiência operacional e a capacidade de geração de receita.Segundo Loureiro, grande parte dos projetos de infraestrutura opera com contratos de longo prazo e receitas indexadas à inflação, o que proporciona maior previsibilidade de caixa. “No fim das contas, o crédito de infraestrutura costuma ser sustentado por três pilares: a essencialidade do serviço prestado, contratos de longo prazo e receitas indexadas à inflação”, diz.Ao comparar FI-Infra com FIIs de CRI e Fiagros de CRA, o gestor ressalta que o investidor precisa compreender a origem do risco. “A comparação precisa partir do entendimento de que são riscos diferentes”, afirma.Enquanto o FI-Infra está exposto à execução e ao ambiente regulatório dos projetos, os FIIs dependem do mercado imobiliário e os Fiagros da dinâmica do agronegócio.Ele comenta que a simples quantidade de garantias não é suficiente para avaliar uma operação. “O ponto mais relevante é entender a qualidade dessas garantias, sua liquidez e, principalmente, a capacidade de execução em um cenário de estresse.”Leia Mais: Dividendos de FIIs: veja calendário de pagamentos de abril e quem recebeFiagros carregam riscos que vão além dos balanços financeirosSe nos FIIs e FI-Infra a análise costuma estar concentrada em ativos imobiliários ou projetos de infraestrutura, nos Fiagros entram em cena variáveis que muitas vezes fogem ao controle dos gestores.Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, o agronegócio possui características únicas dentro do mercado de crédito. “Além do risco de crédito tradicional, o investidor em Fiagros também está exposto ao comportamento das commodities, ao clima, ao câmbio, ao custo dos fertilizantes, à logística e à produtividade agrícola.”A executiva ressalta que a rentabilidade no agro nem sempre acompanha a produtividade. “Uma safra recorde pode produzir resultados decepcionantes em um cenário de preços deprimidos para commodities. Da mesma forma, uma safra apenas razoável pode gerar excelente rentabilidade quando acompanhada por preços favoráveis”, explica.Os eventos climáticos também ocupam papel central na avaliação dos riscos. “Existem riscos que cabem em uma planilha. E existem riscos que chegam com a próxima chuva”, resume. Segundo ela, secas, geadas, excesso de chuvas e outros fenômenos extremos podem comprometer a capacidade de pagamento dos produtores e afetar diretamente a qualidade do crédito das operações.A diversificação, nesse contexto, vai além do número de emissores. “Não basta diversificar empresas. É preciso diversificar aquilo que pode falhar simultaneamente”, afirma Olívia, referindo-se à importância de distribuir exposições entre diferentes regiões, culturas agrícolas e cadeias produtivas.FIIs estão isolados das turbulências globais?Embora os fundos imobiliários tenham receitas e ativos concentrados majoritariamente no mercado brasileiro, eles não estão completamente isolados das turbulências internacionais. Segundo Cândido Piovesan, trader da Mesa de Alocação da Nippur Finance, os impactos costumam ocorrer de forma indireta, principalmente por meio das condições financeiras globais.Na avaliação do especialista, movimentos de alta dos juros nos Estados Unidos elevam o custo de capital em nível global, pressionando as curvas de juros brasileiras e reduzindo a atratividade relativa dos ativos imobiliários frente à renda fixa.“Os FIIs possuem uma proteção relativa frente a choques internacionais porque seus ativos, receitas e contratos estão majoritariamente concentrados no mercado doméstico. Entretanto, não são imunes ao cenário externo”, afirma Piovesan.Segundo ele, os fundos imobiliários tendem a sofrer menos impacto operacional direto do que empresas exportadoras ou companhias com forte dependência do comércio internacional. Ainda assim, mudanças no ambiente financeiro global podem influenciar o valor das cotas, a captação de recursos e o comportamento dos investidores no mercado secundário.Leia Mais: Crescimento do mercado de FIIs está menos dependente do ciclo de juros, diz B3The post ‘Nem todo dividendo é igual’: o que FIIs, Fiagros e FI-Infra ensinam sobre risco appeared first on InfoMoney.

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