“Para o Brasil não tem Desenrola”, dizem gestores preocupados com as contas públicas

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O Brasil enfrenta hoje um grave problema de confiança em suas contas públicas, sendo comparado por Bruno Garcia, da Truxt, a um indivíduo viciado em gastar que já perdeu o crédito na praça. A falta de controle sobre o dinheiro do Estado tem gerado um pessimismo crescente no mercado financeiro, pois o governo precisa pagar juros cada vez mais altos para conseguir financiamento, situação que leva Garcia a afirmar que o país “está pegando dinheiro já com agiota que está financiando ele no overnight”. Esse cenário de desconfiança impede que a economia decole, mesmo quando alguns indicadores parecem positivos à primeira vista.Essa situação crítica faz com que o país viva em um ciclo perigoso de dependência de empréstimos caros. Na prática, diz, significa que o governo está pagando taxas altíssimas apenas para adiar o pagamento de suas contas, o que drena os recursos que deveriam ir para saúde, educação e infraestrutura.As análises sobre esse “labirinto fiscal” foram o centro das discussões no programa Aftermarket, apresentado por Lucas Collazo. No debate, especialistas destacaram que, embora a Bolsa de Valores brasileira pareça barata, o risco de investir no país ainda é considerado muito alto. Isso ocorre porque as aplicações de renda fixa oferecem retornos tão elevados que o investidor não vê vantagem em arriscar seu capital, visão corroborada por Garcia ao notar que “o risco retorno da renda fixa, especialmente da NTNB, me parece melhor do que o da Bolsa.”Veja mais: Dinheiro que vai para a Bet não vai para o supermercado, diz gestor da IbiunaE também: Inteligência Artificial ainda engatinha nas empresas, diz gestor da IP CapitalA desconfiança é tão profunda que nem mesmo a arrecadação recorde de impostos tem sido suficiente para acalmar os ânimos. O problema é que quase todo o dinheiro que entra nos cofres públicos é consumido por gastos obrigatórios e pelo pagamento de juros, que Christian Keleti, da Alpha Key, estima em cerca de “R$ 1,2 tri de juros por ano”. Para o cidadão comum, o governo criou programas de renegociação de dívidas, mas, como resumiu Garcia de forma contundente, “para o Brasil não tem Desenrola.”Leia tambémDurigan diz que medidas para combustíveis serão encerradas quando preço estabilizar“O meu compromisso é que tão logo a gente estabilize, nós vamos reverter as medidas”, disse Durigan, em entrevista ao JotaA bolsa barata que esconde armadilhasPara quem olha de fora, os preços das empresas brasileiras na Bolsa podem parecer um grande negócio, mas os gestores fazem um alerta importante. Keleti é categórico ao dizer que essa percepção pode ser enganosa: “O Brasil parece barato, mas não está.” Segundo ele, o mercado deve enfrentar muitos meses de sobe e desce enquanto o governo não apresentar um plano real e convincente para controlar os gastos e estabilizar a dívida pública.Atualmente, o prêmio para investir em ações no Brasil é considerado baixo diante da incerteza sobre a capacidade das empresas de manterem seus lucros com juros tão elevados. Ainda assim, existem casos isolados de oportunidade, especialmente para o investidor estrangeiro. Garcia aponta que a Vale (VALE3), por exemplo, oferece um “yield perto de 8% em dólar”, o que é superior ao de suas concorrentes na Austrália ou no México.Polo chama Hapvida (HAPV3) de “avião que caiu” e monitora sinais para sair da apostaGestor achou R$ 1 bi ‘escondido’ no balanço de empresa e lucrou altoEntretanto, esse interesse externo depende quase exclusivamente de uma aposta na estabilidade do Real. Se o governo não sinalizar um ajuste fiscal crível, Garcia alerta que os investidores exigirão prêmios maiores até que o ajuste seja “dado na moeda”, gerando desvalorização e inflação. O sentimento geral entre os gestores é de uma espera angustiante, onde qualquer erro político interno pode custar muito caro ao bolso dos brasileiros.No cenário internacional, a situação também não ajuda. Com os juros altos nos Estados Unidos e o dólar forte, o Brasil acaba “derretendo” sem boas notícias internas. “O Brasil tende a ir meio que derretendo nesse cenário internacional ruim”, lamentou Garcia, reforçando que a falta de confiança interna impede que os investidores voltem a acreditar plenamente no potencial do país.The post “Para o Brasil não tem Desenrola”, dizem gestores preocupados com as contas públicas appeared first on InfoMoney.

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