SÃO PAULO, 25 Jun (Reuters) – As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo reduziram as perdas no fim da manhã desta quinta-feira e as de longo prazo retornaram à estabilidade, após dirigentes do Banco Central negarem que o horizonte da política monetária esteja sendo alongado.Às 12h58 a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,18%, em baixa de 14 pontos-base ante o ajuste de 14,32% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,21%, estável.Até o início da coletiva de imprensa dos dirigentes do BC sobre o Relatório de Política Monetária, às 11h, as taxas vinham exibindo perdas firmes em toda a curva, após dados mostrarem o IPCA-15 desacelerando em junho, com a abertura dos números indicando melhora em diferentes métricas.Na entrevista coletiva, o diretor Paulo Picchetti afirmou que o BC não está alongando o horizonte relevante para a política monetária e não tem a intenção de fazer isso. Segundo ele, a intenção da autarquia ao chamar atenção para o primeiro trimestre de 2028 nas comunicações recentes, se deu sob avaliação de que o choque de oferta gerado pela guerra no Oriente Médio e pelo fenômeno climático El Niño afeta a inflação no horizonte relevante, mas é completamente insensível ao que o BC faz na política monetária.Leia também“Problema foi de excesso, e não de falta de informação do Copom”, diz Galípolo“É um caso particular de uma incompreensão”, disse GalípoloHá confusão sobre o que é ser mais claro e comunicar o que se vai fazer, diz Galípolo“Uma coisa não pode ser confundida com a outra, você pode ser mais claro no comunicado sem precisar comunicar o que você vai fazer”, dissePicchetti pontuou que um choque de juros para conduzir a inflação à meta de 3% não ‘abriria o Estreito de Ormuz’ nem mudaria o El Niño.Ao mesmo tempo, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição não está dando sinalizações sobre o futuro dos juros, em função da incerteza, e salientou que não há nenhum tipo de mudança na política monetária.‘Estamos recolhendo dados nos próximos 40 dias para que o Copom possa tomar a decisão (sobre juros) à luz dos novos fatos’, disse Galípolo.Os comentários de Picchetti e Galípolo, conforme operador ouvido pela Reuters, deram força às taxas, que se distanciaram das mínimas da sessão. Por trás do movimento está a percepção de que os dirigentes do BC reforçaram a ideia de busca da meta de inflação no horizonte relevante — hoje no quarto trimestre de 2027.Leia tambémPrévia da inflação traz alívio, mas é suficiente para ficar otimista com a Selic?Dado do IBGE ficou abaixo do esperado e apresenta melhora em componentes importantes, mas acumulado de 12 meses em 4,80% ainda fica acima da meta do BCBC: chance de estouro do teto da meta de inflação em 2026 é de 79%O Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira revisou o dado anterior de 30% e zerou a chance de o IPCA ficar abaixo do pisoDesde a semana passada, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, as taxas futuras vinham em queda, com investidores avaliando que o colegiado teria descartado altas de juros no curto prazo para atingir a meta, preparando terreno para mais cortes ao alongar o horizonte relevante, apesar da piora do cenário para a inflação.No Relatório de Política Monetária, divulgado antes da abertura do mercado, o BC projetou em seu cenário de referência que a inflação seguirá em alta no segundo, no terceiro e no quarto trimestre deste ano, fechando 2026 em 5,2%. O percentual está acima do teto de 4,5% da meta perseguida. Depois, conforme as projeções do BC, a inflação cairá gradualmente até 3,7% no fim de 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, chegando a 3,1% no fim de 2028, último período analisado.No documento, o BC também elevou de 1,6% para 2,0% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, citando a aceleração da atividade, o mercado de trabalho resiliente e as medidas de estímulo do governo.Na abertura da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,41% em junho, desacelerando ante a alta de 0,62% em maio. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam elevação de 0,44% em junho.A abertura do indicador também trouxe dados favoráveis. A taxa dos serviços subjacentes — que excluem itens mais voláteis — desacelerou de 0,53% em maio para 0,27% em junho, conforme o banco Bmg. Já a inflação dos serviços intensivos em mão de obra passou de 0,60% para 0,50% no período. A taxa dos serviços de modo geral foi de 0,48% para 0,40%.Também houve melhora na média dos núcleos de inflação acompanhados pelo BC, com a taxa desacelerando de 0,48% em maio para 0,34% em junho, de acordo com o Bmg.No exterior, às 12h58, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– cedia 2 pontos-base, a 4,38%.The post Taxas de DIs reduzem perdas após falas de dirigentes do BC; entenda appeared first on InfoMoney.
