Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, a PRIO (PRIO3) sinalizou sobre uma possível política de recompra de ações e dividendos. Para o Bradesco BBI, a iniciativa, que deve ser formalizada ainda em 2026, oferece uma possibilidade de remuneração substancial para os acionistas em 2027.Após a conferência, o BBI manteve a recomendação neutra para a companhia, com preço-alvo para o final de 2026 de R$ 69 por ação. A decisão levou em consideração o potencial limitado de valorização e os riscos relacionados a uma possível reabertura do Estreito de Ormuz.Leia tambémPetróleo “contamina” preços industriais, afeta cadeia e pode pausar Selic em junhoDados do IGP-DI mostram avanço de custos na indústria e no transporte, o que eleva projeção da inflação no ano; cenário deve forçar BC a pausar cortes na taxa Selic, segundo André Braz, do FGV/IbrePreços do petróleo sobem após Trump dizer que está perdendo a paciência com IrãO presidente Xi não comentou sobre suas discussões com Trump sobre o Irã, embora o Ministério das Relações Exteriores da China tenha emitido uma declaraçãoA PRIO desembolsou US$ 60 milhões em recompras de ações no 1º trimestre de 2026. De acordo com a própria companhia, a expectativa é de que esse valor praticamente dobre no segundo trimestre de 2026.Com base na estimativa do BBI, considerando uma dívida líquida de US$ 32 bilhões até o final de 2026, haverá espaço para um retorno aos acionistas entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,78 bilhões em 2027. O cálculo se baseia em um preço do Brent entre US$ 70 e US$ 80/barril, a depender da produção.Segundo os analistas, essa dinâmica resultaria em um rendimento de dividendos mais recompra de ações de 21% a 26%. “Isso colocaria o rendimento da PRIO acima do rendimento das principais empresas globais e bem acima do rendimento de dividendos de 8% da Petrobras (PETR3;PETR4), que estimamos atualmente para 2027″, explicam.De acordo com o banco, dado o sólido fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) da PRIO, a empresa provavelmente conseguirá manter uma remuneração substancial para os acionistas nos próximos 10 anos. A estimativa é de um rendimento médio de dividendos + recompra de ações de 18%, entre 2026 e 2030. O FCFE esperado é de, aproximadamente, US$ 2,4 bilhões por ano, em média.Riscos para a remuneraçãoO Bradesco BBI elencou três principais riscos para a remuneração dos acionistas, o primeiro deles sendo o preço do petróleo. A PRIO tem como meta uma alavancagem de 1x, assumindo um preço do Brent de US$ 60/barril, provavelmente a partir de 2027.Em segundo lugar, a produção. Os cálculos do BBI mostram que a produção pode acabar abaixo das expectativas, por conta de problemas operacionais na superfície/submarino. Além disso, características de reservatório piores do que o esperado e interrupções regulatórias podem afetar a indústria.Por fim, novas fusões e aquisições. Neste último caso, o BBI considera a possibilidade de o capital alocado para a remuneração dos acionistas acabe competindo com oportunidades de aquisição. Os analistas destacam que esse último risco pode se tornar ainda mais pronunciado caso haja mudança de governo após as eleições.De acordo com o banco, entretanto, se houver uma mudança de governo e a PRIO redirecionar sua alocação de capital para fusões e aquisições, isso não seria necessariamente negativo. Os analistas acreditam que essa mudança também poderia desbloquear novas oportunidades de criação de valor.The post PRIO mira remuneração “turbinada” a acionistas em 2027, mas por que BBI tem cautela? appeared first on InfoMoney.
