O forte rali da Bolsa brasileira após o primeiro turno das eleições pode seguir, na avaliação do Bradesco BBI, que manteve recomendação de compra (overweight, exposição acima da média) para ações brasileiras e calcula potencial de valorização de até 40% para o MSCI Brazil em sua análise de cenários.Segundo o banco, a alta de aproximadamente 13% em dólares, registrada pelo mercado brasileiro nos cinco dias após a eleição não foi um evento isolado. Em um levantamento que analisou as maiores surpresas eleitorais entre países emergentes e desenvolvidos nas últimas duas décadas, o movimento do Brasil aparece como o terceiro maior da amostra, atrás apenas da vitória de Javier Milei na Argentina e de Manmohan Singh na Índia. Nos dois casos, os mercados continuaram avançando nos anos seguintes.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com realização de lucros e eleições no radarBolsas dos EUA operam mistas em meio a balanços de bancos A conclusão do banco é que o mercado brasileiro pode estar entrando em um novo regime de investimentos, no qual a discussão deixa de ser apenas se os ativos estão baratos e passa a ser quais empresas conseguem capturar melhor a combinação entre juros menores, menor prêmio de risco e crescimento dos lucros.Três motores para a BolsaOs estrategistas do BBI argumentam que as ações brasileiras passaram a contar com uma combinação rara de fatores positivos. O primeiro é a redução dos juros reais de longo prazo. Desde julho, o rendimento dos títulos públicos indexados à inflação de dez anos caiu cerca de 140 pontos-base, reduzindo o custo de capital utilizado nas avaliações das empresas para aproximadamente 14,9%. Esse movimento sozinho elevou em cerca de 15% o valor justo estimado para o mercado brasileiro.O segundo fator é a redução do risco fiscal percebido após o primeiro turno e o novo desenho do Congresso. O banco avalia que a probabilidade de seus cenários mais negativos diminuiu significativamente, reduzindo o desconto exigido pelos investidores.O terceiro elemento ainda estaria à frente: revisões positivas de lucros. Segundo o relatório, aproximadamente três quartos das empresas brasileiras cobertas pela casa se beneficiam diretamente de um ambiente de juros menores.Muitas ações ficaram mais baratas mesmo após subirO banco ainda argumenta que diversas ações brasileiras estão hoje mais baratas do que antes da eleição, mesmo depois da valorização recente. Isso ocorre porque o mercado ainda não incorporou totalmente o efeito da queda dos juros sobre os lucros futuros. Ao recalcular os múltiplos considerando esse impacto, o BBI conclui que várias empresas apresentam relação preço/lucro inferior à observada antes do rali.Entre os nomes mais beneficiados pela reprecificação da curva de juros aparecem Ânima (ANIM3), MBRF (MBRF3), JSL (JSLG3), Yduqs (YDUQ3), EcoRodovias (ECOR3), Movida (MOVI3), Direcional (DIRR3), Magazine Luiza (MGLU3), Vamos (VAMO3), Rumo (RAIL3) e Cogna (COGN3).Fluxo ainda pode ser o próximo combustívelAlém do valuation e dos lucros, o banco vê espaço para uma nova onda de compras por parte dos investidores, com três possíveis fontes de recursos: i) investidores estrangeiros especializados em emergentes, que reduziram posições antes da eleição; ii) investidores globais não dedicados a emergentes, atraídos pela história específica do Brasil e investidores locais, que interromperam os resgates recentes, mas ainda não iniciaram uma volta efetiva para a Bolsa.O ponto mais relevante é o investidor doméstico, diz o BBI, já que o movimento de saída de recursos observado nos últimos anos praticamente chegou ao fim e poderia ser substituído, gradualmente, por ingressos relevantes conforme os juros recuem. O banco afirma que os fluxos locais têm potencial para alcançar algo próximo de R$ 1 trilhão ao longo do tempo em um cenário de normalização das alocações.Rotação continuaO BBI também destaca a tese da rotação de ações, que ocorreu principalmente para empresas ligadas ao mercado de capitais, small caps e ações sensíveis aos juros, enquanto exportadoras, defensivas tradicionais, grandes bancos e Mercado Livre (BDR: MELI34) perderam protagonismo relativo.Dentro dessa estratégia, o banco concentra sua carteira em: XP (BDR: XPBR31); B3 (B3SA3); BTG Pactual (BPAC11); Petrobras (PETR4); Banco do Brasil (BBAS3);Cyrela (CYRE3); Cogna (COGN3) e EcoRodovias (ECOR3).O que olhar agora?O BBI identifica oito catalisadores capazes de sustentar a reprecificação dos ativos nos próximos meses, incluindo: debates e segundo turno presidencial; temporada de balanços do terceiro trimestre; reuniões do Copom; definição da equipe econômica;apresentação das prioridades de política econômica e escolha da nova liderança do Congresso.Para os estrategistas, o rali eleitoral não foi apenas um movimento técnico, já que a combinação entre menor risco fiscal, juros menores, possibilidade de revisões positivas de lucro e novos fluxos cria um ambiente em que a Bolsa brasileira ainda pode estar nos estágios iniciais de um processo mais longo de reprecificação.The post Rali ainda tem fôlego? BBI vê até 40% de potencial para Bolsa e nova onda de fluxo appeared first on InfoMoney.
