O bilionário Ray Dalio alerta que a liquidação dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) está longe de terminar, já que a forte alta do endividamento do governo e das empresas coincide com o enfraquecimento da demanda de alguns dos maiores compradores tradicionais do mundo.Em publicação no LinkedIn nesta terça-feira, o fundador da gestora Bridgewater Associates afirmou que os Estados Unidos estão entrando em uma fase em que a oferta crescente de títulos eleva os rendimentos, o que encarece o custo dos empréstimos e aumenta ainda mais o nível da dívida. Segundo ele, essa espiral dificilmente vai terminar antes que os juros mais altos enfraqueçam a economia e os mercados financeiros o suficiente para reequilibrar oferta e demanda.“O bear market de títulos provavelmente ainda tem um longo caminho pela frente”, escreveu Dalio.Leia tambémBlackRock vê oportunidade em títulos dos EUA pela primeira vez em seis anosBraço de pesquisa da gestora rebaixa recomendações para ações americanas, citando possível volatilidade ligada à expansão da inteligência artificialDalio alerta há bastante tempo para uma crise iminente da dívida americana e defende que os investidores vendam títulos e comprem ouro. A visão pessimista contrasta com a de alguns investidores e estrategistas, incluindo os da BlackRock e da Morgan Stanley Investment Management, que ficaram mais otimistas depois que o rendimento do Treasury de 10 anos subiu neste mês ao maior nível em quase um quarto de século, perto de 5,4%.O debate ocorre em um ano difícil para os títulos. Um índice da Bloomberg que acompanha os Treasuries acumula perda de cerca de 2,4%, já que a alta dos preços de energia e a resiliência da economia levaram o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a subir os juros, enquanto uma enxurrada de emissões de dívida do governo e de empresas aumentou a pressão. Os Treasuries caminham para a primeira queda anual desde 2022, quando recuaram 12,5% em meio ao aperto agressivo do Fed para conter a inflação.Patamar de tempos de guerraDalio estima que o peso da dívida americana, medido pelo total de empréstimos e pelos custos do serviço da dívida em relação à receita do governo, atingiu o maior nível desde a Segunda Guerra Mundial e deve piorar nos próximos anos.Segundo ele, o governo deve rolar cerca de US$ 10 trilhões em obrigações que vencem neste ano, além de contrair US$ 2,1 trilhões em novos empréstimos. Com um volume tão grande de vencimentos, até uma queda modesta na disposição dos investidores de reinvestir os recursos poderia criar um rombo de financiamento significativo, alertou.A preocupação é que o apetite de alguns dos maiores credores estrangeiros do país, como China e Japão, diminua. As autoridades japonesas, por exemplo, têm incentivos para estimular os investidores locais a reduzir sua posição de US$ 1,1 trilhão em Treasuries e repatriar capital para dar suporte ao iene e ao mercado de títulos do país, disse Dalio. Ele acrescentou que a alta dos rendimentos no Japão favoreceria esse movimento.Leia também: Treasuries subiram demais e janela para investir se abriu, avalia JPMorgan AssetO Tesouro americano também enfrenta uma concorrência crescente por capital com as empresas, que estão vendendo mais dívida e ações para financiar a expansão da inteligência artificial (IA). Dalio apontou sinais de que os investidores começam a exigir “concessões maiores para absorver a oferta” e classificou o mercado de crédito corporativo como o “canário na mina de carvão”.“Somando tudo isso, as mudanças esperadas na oferta de nova dívida e na demanda por ela tornaram há muito tempo, e ainda tornam, mais fácil ficar vendido do que comprado em Treasuries”, escreveu Dalio.©️2026 Bloomberg L.P.The post Ray Dalio: disparada dos Treasuries ainda tem “longo caminho pela frente” appeared first on InfoMoney.
