Reserva para imprevistos é maior ponto fraco das finanças do brasileiro, diz Planejar

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A maior vulnerabilidade financeira dos brasileiros está na falta de reservas e de resiliência para lidar com acontecimentos inesperados, aponta a primeira edição do Índice Planejar, divulgada nesta quinta-feira (17). O dado revela que as pessoas das classes A, B e C atingiram um patamar intermediário de organização financeira, com nota geral de 52,7 pontos em uma escala de 0 a 100. O estudo mostra que, embora esse público consiga organizar as contas do mês, ainda encontra grandes dificuldades para transformar esse controle diário em segurança para o futuro.O indicador mensura cinco dimensões relacionadas à vida financeira: gestão orçamentária; proteção e seguros; endividamento; planejamento de longo prazo e sucessão; e reservas e resiliência. A base de dados contou com 2.000 entrevistas conduzidas pelo Instituto Datafolha, em julho de 2025, a pedido da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar).A dimensão de gestão orçamentária obteve a maior pontuação do levantamento (70,1), o que indica capacidade de planejar o mês e adequar os gastos à própria renda. Em contrapartida, a de reservas e resiliência teve a nota mais baixa da pesquisa, com 39,3 pontos, reflexo da dificuldade de guardar o equivalente a meses de gastos para cobrir imprevistos.Entenda a composição do índice Planejar:DimensãoNota (0 a 100)Gestão orçamentária70,1Proteção e seguros63,0Endividamento47,8Planejamento de longo prazo e sucessão43,3Reservas e resiliência39,3Média geral52,7Fonte: Índice PlanejarO índice aplica um filtro de evidência no qual a ação efetivamente realizada pesa mais do que o conhecimento declarado pelo participante. “Muitas pesquisas captam sentimento, emoção, mas nós estamos majorando o peso de ações e intenções”, explica Hilton Notini, gestor de riscos e consultor da Planejar no projeto.Os dados mostram, por exemplo, que ter um produto financeiro não garante proteção na prática. O item que avalia se o respondente possui poupança ou investimento teve nota alta (75,7), enquanto o que mede o fôlego financeiro em caso de perda de renda ficou em 21,3 pontos.“Planejar não é apenas controlar o orçamento ou fazer as contas fecharem no fim do mês. É olhar para diferentes dimensões da vida financeira e entender quais devem ser priorizadas em cada fase”, afirma Ana Leoni, CEO da Planejar.“Ter algum dinheiro investido é diferente de ter uma reserva capaz de sustentar a vida financeira quando a renda é interrompida. Antes de pensar apenas em rentabilidade, é preciso entender a função daquele recurso dentro do planejamento e construir segurança”, completa.Vulnerabilidade na vida adultaA metodologia do índice se baseia na Hipótese do Ciclo de Vida, do economista Franco Modigliani, e atribui pesos diferentes às dimensões financeiras conforme a faixa etária do respondente. A gestão orçamentária, por exemplo, tem peso de 29% para jovens de 18 a 24 anos, mas representa apenas 10% da nota para idosos com 61 anos ou mais.Notini ressalta que o peso do planejamento muda junto com as obrigações da vida. “Não é somente idade, com o passar do tempo, ‘N’ estruturas se alteram. O capital humano chega a um ápice e depois tende a decrescer. À medida que o tempo passa, o prazo para corrigir a rota diminui. Conforme a pessoa envelhece, o horizonte diminui.”Nesse cenário de prioridades mutáveis, a pesquisa revela que a capacidade de planejamento não cresce de forma linear com a idade. O grupo entre 25 e 44 anos foi identificado como o mais vulnerável, com a menor nota entre as faixas etárias (51,3 pontos). Essa é a fase de maior pressão econômica simultânea, marcada pela chegada dos filhos, pela contratação de financiamentos e por uma carreira ainda em formação. Já a maior nota ficou com o grupo de 61 anos ou mais (57,6 pontos).O planejamento de longo prazo também aparece como desafio. A pesquisa identificou uma distância entre reconhecer a necessidade de se preparar para a aposentadoria e adotar medidas práticas, o que se reflete na nota de 15,3 pontos do item de previdência privada.Com os dados do índice, a Planejar espera oferecer subsídios para que as instituições financeiras e os planejadores certificados no país direcionem melhor suas estratégias e a educação de seus clientes.The post Reserva para imprevistos é maior ponto fraco das finanças do brasileiro, diz Planejar appeared first on InfoMoney.

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