Um dia depois de o deputado Kim Kataguiri (Missão) desistir da disputa ao governo de São Paulo, o pré-candidato Paulo Serra (PSDB) seguiu o mesmo caminho e anunciou que também tentará uma cadeira na Câmara dos Deputados. Com a saída dos dois, que somavam 10% das intenções de votos na última pesquisa Genial/Quaest, a corrida ao Palácio Bandeirantes fica ainda mais polarizada entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT). A tendência no partido é de apoio ao atual chefe do Executivo.É a primeira vez na história que o PSDB não terá um candidato ao governo de São Paulo, berço do tucanato e governado pela sigla por quase três décadas. Além disso, com as duas desistências, a disputa se desenha, por ora, para um cenário diferente dos últimos dois pleitos, quando a presença de um terceiro nome garantiu uma dissipação de votos, levando a eleição ao segundo turno. Foi assim em 2018, quando Paulo Skaf teve 21%, e em 2022 com o tucano Rodrigo Garcia (18%). Ambos ficaram na terceira colocação, mesmo bem votados.Na última pesquisa Quaest, de abril, Tarcísio aparece com 38%, seguido por Haddad com 26%. Kim e Paulo Serra apareciam com 5% cada um.‘Tendência de Tarcísio’Presidente estadual do PSDB, Paulo Serra não cravou apoio da sigla a Tarcísio, mas diz que agora essa “discussão se inicia” e admite uma “tendência” de uma aliança por uma “identidade” entre os dois projetos políticos. O ex-prefeito de Santo André disse que uma aliança com Haddad seria “muito difícil” porque o PT é “adversário histórico” dos tucanos.— A gente tem uma federação com o Cidadania, tanto no âmbito estadual quanto no âmbito nacional, e no nosso estatuto está previsto que a definição dos estados cabe à executiva nacional da federação. Então, é uma discussão que se inicia. Claro que tem uma identidade, uma tendência, vamos dizer assim, até por uma questão de raia política, de iniciar um diálogo com o governador Tarcísio. Mas isso ainda vai ser debatido internamente no colegiado da federação — diz.Nas últimas semanas, houve conversas entre ele e o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro. Aliados de Tarcísio afirmam que há “todo o interesse” de uma aliança com os tucanos. A palavra final, entretanto, caberá ao senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, e ao deputado Alex Manente, do Cidadania.Kataguiri, por sua vez, disse no sábado que o Missão ainda não definiu se lançará um novo nome ao governo paulista ou se o partido adotará uma postura de neutralidade — a princípio, o apoio a Tarcísio de Freitas não está no radar.Pelo lado de Tarcísio, aliados já falam em trabalhar para elegê-lo no primeiro turno. Correligionários apontam que, como os votos não estarão dissipados entre diversos atores, a primeira fase da votação poderá repetir o cenário do segundo turno de 2022, quando Haddad marcou 44,73% e Tarcísio se consagrou vencedor com 55,27%.A seu favor, dizem as pessoas próximas ao governador, pesa o fato de que, além de ter a máquina pública na mão e poder mostrar entregas, ele já começa a campanha com uma coligação que agrega PL, MDB, PSD, PP-União e PRD-Solidariedade, siglas que na eleição passada estavam com Garcia.Já pessoas próximas a Haddad apostam que ele conseguirá ao menos os cerca de 45% dos votos que conseguiu no segundo turno da eleição passada, ainda que as pesquisas até agora mostrem o petista em patamar bem mais baixo. Uma das principais estratégias é desgastar Tarcísio na segurança pública, principal preocupação dos paulistas segundo a Quaest. Para isso, aposta em vídeos críticos nas redes mostrando casos de violência de grande repercussão e deve antecipar suas propostas para a área antes mesmo de fechar o plano de governo.Sem a presença de um terceiro nome para dissipar os votos da direita, contudo, levar a disputa para o segundo turno se torna mais difícil. Nas últimas semanas, Haddad passou a fazer agendas no interior e levou Simone Tebet (PSB), pré-candidata ao Senado, ao seu lado, na tentativa de reduzir a resistência histórica do interior do estado à esquerda e ampliar alianças, principalmente com os setores do agronegócio e do empresariado.Leia tambémMesmo inelegível, aliado de Tarcísio mantém Eduardo Bolsonaro como suplente ao SenadoApós condenação e impedimento de disputar a eleição, ex-deputado seguirá na composição da candidatura do PL em São PauloLula reduz a 38% avaliação negativa e mantém percepção positiva de 32%, diz DatafolhaOutros 29% avaliam como regular a gestão petista e um 1% não soube responder à pesquisaUm dos desafios para a esquerda em São Paulo, porém, é a falta de definição da chapa, que vem atrasando os atos de pré-campanha. Integrantes do PSB e da federação Rede-PSOL têm se queixado, nos bastidores, da demora do presidente Lula e do PT para definir quem vai concorrer ao Senado – a segunda vaga está entre Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB). Por causa disso, até agora não houve eventos conjuntos com Haddad e sua chapa na pré-campanha.A situação contrasta com a direita, que, com a chapa fechada, já fez três grandes atos para anunciar a pré-candidatura de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado, que tiveram ares de campanha e serviram como palanque não somente para eles, mas para Tarcísio e Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência da República.Queda do tucanatoCriado em 1988, o PSDB participou de todas as eleições ao governo de São Paulo desde 1990, quando Mário Covas ficou em terceiro lugar. No pleito seguinte, em 1994, ele foi eleito governador, dando início a uma sequência de governos tucanos que durou quase 30 anos, passando por nomes como Geraldo Alckmin, José Serra e João Doria.Nos últimos anos, o partido vem passando por uma crise tanto em esfera nacional, catapultada desde a vitória de Jair Bolsonaro (PL) à presidência em 2018 que “substituiu” os tucanos na polarização com o PT, quanto no estado de São Paulo, lugar que sempre foi seu reduto mais representativo. Nessa esteira, também se deu uma debandada de parlamentares tucanos, que migraram sobretudo para o PSD de Gilberto Kassab e para o MDB.Em 2022, o partido amargou o pior resultado numa disputa estadual paulista, quando o então governador Rodrigo Garcia (hoje no Republicanos) perdeu a tentativa de reeleição e não chegou sequer ao segundo turno, que foi disputado entre Tarcísio e Haddad.A legenda, que já foi a maior na Assembleia Legislativa de São Paulo, conta hoje apenas com dois deputados estaduais. Na capital, a situação tampouco é melhor: em 2024, pela primeira vez em 30 anos, nenhum tucano se elegeu vereador, e Datena, que concorreu à prefeitura, amargou um resultado de apenas 1,84% dos votos — no segundo turno, o partido declarou apoio a Ricardo Nunes (MDB).The post Sem candidato em São Paulo, PSDB se aproxima de apoio a Tarcísio contra Haddad appeared first on InfoMoney.
