Sem futurologia: projeções longas perdem espaço no mercado com avanço da tecnologia

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No mercado financeiro, a consolidação de teses baseadas no longo prazo tem sido reavaliada devido às rápidas transformações tecnológicas e à volatilidade macroeconômica.O CIO da Tuesday Capital, Dato Netto, defendeu que a tomada de decisão para a alocação de recursos precisa se concentrar no horizonte que se pode enxergar com maior clareza, em vez de recorrer a projeções extensas que perdem a validade no tempo.O debate, transmitido no episódio de Stock Pickers desta semana, sob a condução de Lucas Collazo, abordou a necessidade de adaptação do investidor a prazos de maturação mais curtos diante do cenário econômico.Leia mais:IA e juros altos impulsionam mercado de crédito privado nos EUA, diz Blue OwlALLOS (ALOS3): IA deve acirrar concorrência online enquanto shoppings mantêm vantagemNa visão de Netto, os modelos tradicionais de análise enfrentam limitações em mercados marcados pela constante incerteza.Modelos de longo prazo perdem espaçoA simplicidade e a objetividade na análise de ativos são apontadas pelo executivo como premissas fundamentais para validar a consistência de qualquer tese. Ao ser questionado sobre sua metodologia de avaliação, Netto revelou que costuma concentrar as premissas essenciais de um negócio em poucas informações diretas, dispensando cálculos excessivamente complexos logo no ponto de partida. “O meu ponto é o seguinte: se eu não conseguir te explicar a estrutura, o direcional e a dimensão de uma tese em meia dúzia de informações, bullets ou coisas extremamente objetivas, eu muito provavelmente não tenho essa consistência”, afirma o gestor.Segundo o executivo, o uso de modelos tradicionais, como o DCF (Fluxo de caixa descontado), viram frágeis quando a maior parte do valor dos ativos é projetada em um período distante.Leia também: Quadro das contas públicas só tende a piorar nos próximos anos, diz gestor da Armor“Se a perpetuidade já era antigamente um exercício inócuo de futurologia, imagine hoje, em que ninguém sabe o tamanho das transformações que vão acontecer em múltiplas indústrias”, disse. “Como vou tomar uma decisão de alocação de capital baseado em uma projeção de fluxo de caixa de 10 anos? Isso não existe em lugar nenhum do mundo, quanto menos em mercado emergente”.Com esse cenário em vista, a gestora opta por direcionar seus fundos para estratégias concentradas e com prazos de maturação mais comprimidos. A abordagem busca identificar distorções de preços para atuar diretamente no destravamento de valor das empresas investidas, alinhando a entrada e a saída ao interesse do capital disponível.Além disso, Netto explica que prefere usar o conceito de “foreseeable future”, ou seja, o futuro que “você consegue enxergar”, o que justifica a adoção de ciclos mais curtos na gestão de investimentos ilíquidos, adaptando a lógica do Private Equity às instabilidades locais.“Dentro de um horizonte de tempo – que é o foreseeable future –, buscamos entender aquilo que vai ou tende a impactar o preço e, mais do que o preço sozinho, a atratividade de capital para determinado ativo. Partindo do princípio de que o capital é escasso, tenho que entender que o meu preço de entrada é menor que o meu preço de saída, e o meu timing de entrada e saída está alinhado com a disposição do capital para esse ativo ou classe de ativo”, explica Netto.Preço de entrada correto garante retorno e reduz riscos do investidorMesmo quando os fundamentos operacionais das companhias apresentam evolução consistente, o preço de tela nos mercados pode demorar a reagir à melhoria dos indicadores financeiros, como o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).De acordo com Netto, a disciplina na escolha do ponto de entrada e a preservação de uma margem de segurança são critérios indispensáveis para a proteção do patrimônio e para a estruturação das janelas de desinvestimento.Leia também: Blue Owl: portfólios de crédito privado nos EUA estão muito bem, apesar das dúvidasEle acredita que a atratividade de uma tese de investimento depende diretamente de comprar os ativos em momentos oportunos de preço, para que seja possível garantir rentabilidade no momento da saída do negócio. Assim, dá para evitar “se vislumbrar” na hora de investir, já que a atratividade de um negócio não depende apenas da qualidade da empresa.“Entrar certo faz muita diferença; comprar certo faz muita diferença. Acho que o investidor muitas vezes negligencia isso e acha que investir em companhia, tanto de capital aberto quanto fechado, é um ‘concurso de miss’. Você não compra a melhor ou investe na que fica mais bonita”, conclui Netto.The post Sem futurologia: projeções longas perdem espaço no mercado com avanço da tecnologia appeared first on InfoMoney.

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