Sem precedentes? O que causou “pane” na B3 por 3 horas e meia – e como mercado reagiu

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O Ibovespa terminou a última sessão de julho em alta e fechou o mês com ganhos após quatro meses de queda – mas esse não foi o grande destaque da sessão. O benchmark da Bolsa iniciou as suas operações com mais de duas horas e meia de atraso, totalizando mais de três horas e meia de atraso de negociações na B3, em decorrência de problemas técnicos no processamento do pós-mercado – o que pode trazer mais efeitos a médio prazo para a operadora da Bolsa.Num primeiro momento, às 8h05 (horário de Brasília), a B3 enviou comunicado ao mercado falando de atraso nas operações, mas sem mais detalhes, enquanto alguns leilões de ações foram adiados para 12h03. Posteriormente, a operadora da Bolsa deu mais detalhes, com abertura prevista para 12h30 (horário de Brasília). As negociações dos índices futuros começaram por volta deste horário, enquanto o Ibovespa à vista passou a negociar depois do 12h40, com alta. A Bolsa se justificou: segundo a operadora, o atraso foi causado por uma intercorrência operacional em um de seus componentes tecnológicos do ambiente de pós-negociação. A instituição negou que tenha havido ataque hacker ou qualquer interferência externa nos sistemas.De acordo com a B3, a companhia decidiu no início da manhã postergar o início da negociação contínua em seus ambientes de negócios como medida preventiva e em alinhamento com participantes do mercado para preservar a integridade das informações, a segurança dos processos de pós-negociação e o adequado funcionamento da infraestrutura.Operadores chegaram a falar de algo “sem precedentes”, pois todo o sistema de renda variável está fora do ar. “Já vi dar problemas no final do dia, mas que não afetou a liquidação”, disse um especialista em renda variável que pede anonimato.“Não lembro de ter dado problema nesse nível. Já vi o futuro abrir meia hora depois. Mas isso, de hoje, é novidade. Gera estresse, pois muda a rotina operacional dos operadores”, afirmou à Broadcast, Rubens Cittadin, especialista em renda variável da Manchester Investimentos.A postergação é negativa, porque a etapa de liquidação é extremamente importante para as operações, mas não deve haver impacto financeiro aos clientes da Bolsa brasileira, segundo Bruno Takeo, estrategista da S4Consultoria de Investimentos.O problema fez com que os investidores operassem com cautela durante a maior parte do pregão, o último do mês, que geralmente é marcado por ajustes de posição de investidores e gestoras de recursos.“No geral o investidor entende que sistemas digitais são passíveis de problemas dessa natureza, e acredito que quem sofre mais são as corretoras, que acabam recebendo uma alta demanda de suporte técnico e abertura de chamado de contestação”, disse Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.Nesse contexto, os agentes digeriram o noticiário corporativo doméstico, que teve como destaque o balanço da Vale (VALE3) que foi divulgado na noite da véspera, e a notícia de que o espanhol Santander vai lançar uma oferta por ações da operação brasileira.“Mercado hoje foi bem atípico, com agenda vazia. Foi um gatilho para virada de mês”, disse Felipe Sant’Anna, analista da Axia InvestingO dia no mercado internacional foi ganhos nos preços do petróleo, com a commodity chegando a operar acima dos US$ 90 durante o pregão e encerrando julho com seus maiores ganhos mensais desde março, em meio a crescentes preocupações com os fluxos globais após relatos iranianos de que alguns petroleiros foram forçados a retornar no Estreito de Ormuz.Leia tambémB3 fora do ar? Relembre outros episódios que afetaram negociações e sistemas da BolsaA operadora da Bolsa informou, nesta sexta-feira (31) atraso na abertura do pregão de listados devido a problemas relacionados ao envio de arquivos e à abertura da Câmara B3Questões para a B3Voltando ao problema técnico na Bolsa, Cittadini diz ainda que outra questão é quanto a uma eventual ampliação do debate de entrada de novas bolsas no Brasil. “Abre brecha por competição. Afeta a credibilidade”, afirma. “Imagine uma empresa que não entrega o seu ‘core’ conforme o esperado. Desencadeia uma série de pensamentos que não se tem em dias de horários normais. O investidor conservador pode até não querer ir para a Bolsa.”Na mesma linha, Danilo Coelho, economista, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, considera que o episódio pode afetar a percepção de segurança dos investidores, principalmente estrangeiros. Para ele, falhas desse tipo reforçam uma visão negativa sobre a infraestrutura do mercado brasileiro.“Infelizmente isso acaba deixando os investidores mais inseguros, principalmente os investidores internacionais, que já olham para o Brasil como um mercado emergente. Essas falhas operacionais não deveriam ocorrer. Acredito que deveria haver sistemas paliativos para permitir a abertura da bolsa em situações como essa”, afirmou.Devido à postergação no horário de abertura, as posições de clientes e bancos, inclusive as posições compradas, ficaram desatualizadas, apontou Cittadin.Já conforme Takeo, da S4 Consultoria, se as alterações de horário se tornarem frequentes, pode ser desfavorável para a B3, de forma a contaminar a sua credibilidade. “Está longe disso, por enquanto.”A economista Bruna Centeno, sócia da Blue3 Investimentos, apontou que os impactos ficaram restritos ao giro financeiro menor e à queda nas receitas, de ao menos 4%, segundo ela. “O volume financeiro ficou abaixo da média, lembrando que sexta-feira já é um dia que não tem tanta liquidez. Então, o principal efeito foi essa questão da receita que naturalmente é afetada”, disse. O volume financeiro nesta sexta somou R$ 13,6 bilhões, abaixo, mas não de uma forma tão significativa em comparação à média diária do mês, de R$ 14,7 bilhões.(com Estadão Conteúdo e Reuters)The post Sem precedentes? O que causou “pane” na B3 por 3 horas e meia – e como mercado reagiu appeared first on InfoMoney.

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