A cozinha é o coração do lar. É o cômodo onde preparamos nossas refeições, convivemos com a família e passamos boa parte do nosso tempo. Para que o espaço seja confortável e convidativo, o décor deve fugir de um visual frio e polido, criando uma sensação acolhedora e aconchegante. Nas redes sociais, esse conceito é conhecido como soft kitchen (em tradução livre, “cozinha suave”), que propõe transformar o ambiente de um local puramente funcional em um espaço de acolhimento.
Aqui, a cozinha vai além de um ponto de preparo: é um espaço que funciona como ponto de encontro social e de convivência, atraindo as pessoas de forma natural e convidando-as a permanecer.
“A relação das pessoas com a casa mudou. A cozinha passou a ser, também, um espaço de convivência, e existe uma busca maior por conforto, bem-estar e ambientes que reflitam a personalidade dos moradores”, explica a arquiteta Rosangela Pena, do escritório homônimo, sobre o surgimento da tendência. Na soft kitchen, o cômodo faz o morador se sentir em uma extensão da sala de estar.
Desenhada pelo escritório Arkitito Arquitetura (@arkitito), esta cozinha tem conceito aberto, mas entra na tendência de soft kitchen com a mesa de convivênciaRicardo Faiani/Divulgação
O surgimento da tendência também está associado ao fenômeno do cozy living, onde o corpo pede um refúgio para desacelerar. Nesta ‘nova forma de morar’, os espaços passaram a carregar o rastro humano, revelando quem mora ali. Segundo pesquisa realizada pela Obramax, 44% dos brasileiros realizam obras para ganhar maior conforto, enquanto 23,1% buscam mudar a decoração e a energia do cômodo. O estudo também revelou que a cozinha e a sala estão entre as áreas mais reformadas.
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Na tendência da cozinha, elementos como texturas naturais, linhas curvas, mobiliário solto, iluminação aconchegante e elementos decorativos ajudam a aproximar o ambiente da linguagem de um living.
Assinado pelo escritório VOA Arquitetura (@voa.arquitetura), o cômodo tem essência natural e acolhedora devido ao uso de materiais naturais, texturas e tons terrososFran Parente/Divulgação
“Somos levados a uma busca quase nostálgica por referências de tempos mais analógicos e humanos, além de acolhedores, como a casa de infância e a casa de vó“, acrescenta a arquiteta Patricia Penna, do escritório homônimo. Conforme a especialista, a soft kitchen busca elementos que pareçam ancorar a nossa sensação de bem-estar e pertencimento em casa.
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Como aderir à soft kitchen em casa?
Desenhada pelo escritório KAS Arquitetura (@kas.arq), a cozinha tem essência aconchegante, com piso hidráulico de ‘casa de vó’ e armários em verde-pistacheDivulgação/Divulgação
Na soft kitchen, a cozinha deixa de ser um espaço unicamente funcional e ganha um teor social, sendo frequentemente integrada aos demais espaços de convivência, como a sala de estar. Porém, mais do que uma simples integração, a cozinha também ganha elementos clássicos da sala, como texturas, espaços aconchegantes para sentar e um layout multifuncional. Na tendência, o mais importante não são as cores exatas para usar ou os revestimentos ideais, mas, sim, a maneira como esse cômodo te faz sentir. O objetivo é que ele seja convidativo e acolhedor.
Assim, uma soft kitchen deve ser um espaço onde a rigidez dá lugar a texturas, aconchego e uma estética visualmente leve. Assim, em vez de linhas marcantes e acabamentos de alto contraste, a tendência privilegia formas delicadas, paletas de cores sóbrias e materiais táteis.
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Projetada pela arquiteta Vivi Cirello (@vivicirelloarq), do escritório homônimo, esta cozinha usa a madeira para criar um ar aconchegante, enquanto a planta pendente traz um toque de corDivulgação/Divulgação
Ao borrar cada vez mais a fronteira entre sala de estar e cozinha, é necessário atentar-se à integração para que os cômodos não percam as suas respectivas funcionalidades. “É fundamental preservar os fluxos, as áreas de trabalho e o armazenamento, enquanto materiais, cores e marcenaria criam uma continuidade visual entre os ambientes”, explica Rosangela. Assim, a cozinha abandona o visual técnico e industrializado, mas continua servindo seu propósito original.
Projetada pelo escritório Arkitito Arquitetura (@arkitito), a cozinha é integrada à sala de estar, com decoração com ‘cara de vó’ e que traz uma sensação de aconchegoCarol Lacaz/Divulgação
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No décor, invista em itens que agreguem personalidade, história e ambiente, como vasos, jarras, louças, quadros e arranjos florais. Em paralelo, dê atenção às toalhas de mesa e jogos americanos, que devem ter texturas e cores que harmonizem entre si. Tapetes e passadeiras também podem ser uma boa pedida para conferir um toque de aconchego e textura.
Os melhores materiais e cores para ter uma soft kitchen
Assinada pelo arquiteto Granatti Junior, do Granatti Studio (@granattistudio), esta cozinha usa a madeira para entrar na tendência de soft kitchen e ter essência convidativaDenilson Machado/Divulgação
A integração dos ambientes não se trata apenas de derrubar paredes: é necessário criar uma conexão visual, que é, inclusive, a responsável por conferir o visual soft e aconchegante ao espaço. Uma cozinha de atmosfera acolhedora é aquela que desperta os sentidos, em vez de apelar apenas para o lado prático.
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Projetada pela arquiteta Patricia Penna (@patricia_penna_arquitetura), do escritório homônimo, esta cozinha usa a tendência de soft kitchen por meio da aparição de materiais naturais, como mármore e madeira, além de estar integrada ao espaço de convivênciaJoão Paulo Soares de Oliveira/Divulgação
Para isso, materiais como madeira, pedras naturais, tecidos, palha e acetinados conferem uma estética aconchegante e facilitam a conexão entre a cozinha e os ambientes de convivência. “Materiais com textura e aparência natural ajudam a reduzir a sensação de um ambiente excessivamente técnico”, pontua Rosangela.
Na mesma linha, paletas neutras — sem cair diretamente no branco hospitalar — e cores associadas à natureza e ao calor transmitem tranquilidade e aconchego, além de facilitar a integração da cozinha com os demais ambientes.
Assinada pela arquiteta Rosangela Pena (@rosangelapenaarquitetura), do escritório homônimo, a cozinha ganha tom soft com o uso de uma paleta aconchegante e materiais naturais, como a madeira. Ademais, as plantas na prateleira suspensa criam uma sensação de aconchegoSidney Doll/Divulgação
“Uma cozinha que traga essa sensação de acolhimento precisa ser trabalhada em camadas. Pode-se começar com uma base, como um revestimento de piso, que pode ser neutro ou estampado. A partir dele, definem-se os revestimentos de parede e o material das bancadas. Em seguida, o material dos armários, que podem ter cores ou serem feitos com um terceiro componente, como madeira. Por fim, os tecidos das toalhas, jogos americanos e tapetes podem falar a linguagem dos elementos já presentes ou serem o ponto de inflexão do conjunto, em cores e estampas contrastantes”, diz Patricia.
Desenhada pelo arquiteto Felipe Carolo (@felipecaroloarq), do escritório homônimo, a cozinha ganha tom aconchegante graças às decorações afetivasFran Parente/Divulgação
A iluminação é o ponto-chave da soft kitchen
Desenhada pela arquiteta Patricia Martinez (@patriciamartinez), do escritório homônimo, a cozinha destaca-se pelo uso de materiais naturais, além de ser integrada à área de convivênciaDivulgação/Divulgação
Outro ponto essencial é a iluminação. Para esta, deve haver a possibilidade de dois ou mais circuitos: um para garantir funcionalidade e outro para a ambiência do espaço. A luz do ambiente, por sua vez, deve ser indireta e com pequenos pontos focais, podendo ser integrada à marcenaria.
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