As taxas do Tesouro Direto abrem em leve queda nesta quarta-feira (16), dia de decisão dupla de juros no Brasil e nos Estados Unidos. O IBC-Br de julho, divulgado nesta manhã, recuou 0,22% na comparação mensal dessazonalizada, abaixo do consenso de -0,20%, reforçando a leitura de desaceleração da economia que sustenta a expectativa de novo corte da Selic hoje à noite.O Tesouro Prefixado 2032 recuou de 14,34% no fechamento de terça-feira para 14,30% nesta manhã. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 caiu de 14,41% para 14,37%, e o Prefixado 2029 foi de 13,92% para 13,89%. Nos títulos de inflação, o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 e o IPCA+ 2050 empataram como maiores quedas, ambos com 5 pontos-base, caindo respectivamente de 7,26% para 7,21% e de 7,28% para 7,23%.Segundo Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs, o resultado veio pior até do que a projeção do próprio banco, de -0,10%. A queda foi puxada pela agropecuária, que recuou 1,2%, pela indústria, com baixa de 0,4%, e pelos impostos, com retração de 0,2%, enquanto os serviços ficaram estáveis. O PIB sem agropecuária caiu 0,1% no mês, e o dado de junho foi revisado para pior, de -0,64% para -0,88%. O carrego estatístico para o terceiro trimestre já está negativo, em -0,7%, e o Goldman projeta crescimento de 1,2% para 2026.A XP tem leitura na mesma direção, mas com magnitude diferente. “As figuras do IBC-Br reforçam nossa projeção de que o PIB de 2026 crescerá 1,7%. O efeito das condições monetárias apertadas e do elevado peso do serviço da dívida sobre as famílias tem ficado cada vez mais visível nos dados de alta frequência”, diz a casa, que projeta crescimento de apenas 1,0% para 2027, com riscos concentrados para baixo.Ramos pondera que a atividade deve seguir sendo sustentada à frente por transferências fiscais a famílias de baixa renda, expansão da renda disponível, programas de crédito consignado, o aumento do teto de isenção do imposto de renda e outras medidas de estímulo fiscal e creditício antes das eleições do quarto trimestre. Do lado contrário, pesam as condições monetárias e financeiras apertadas, a inflação em alta, o alto endividamento das famílias e um mercado de trabalho com baixa margem de folga, com taxa de desemprego abaixo da Nairu e hiato do produto em território positivo.O Copom encerra hoje a reunião que começou na terça, com decisão prevista para a noite. A expectativa do mercado é de corte de 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. A decisão ocorre no mesmo dia da reunião do Federal Reserve. Segundo a ferramenta CME FedWatch, o mercado precifica cerca de 93% de chance de o Fed subir os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%, o que seria a primeira alta desde julho de 2023.Se confirmado, o cenário de Fed subindo e Copom cortando no mesmo dia estreita ainda mais o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, fator que os investidores monitoram de perto pelo potencial impacto sobre o real e sobre o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira.Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h26 desta quarta-feira (16):TítuloRendimento AnualVencimentoTesouro Reserva 2036SELIC01/01/2036Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0733%01/03/2031Tesouro Prefixado 202913,89%01/01/2029Tesouro Prefixado 203214,30%01/01/2032Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,37%01/01/2037Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,66%15/08/2032Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,50%15/05/2037Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,30%15/08/2040Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,35%15/05/2045Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,23%15/08/2050Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,21%15/08/2060The post Tesouro Direto: taxas recuam com prévia do PIB mais fraca antes do Copom appeared first on InfoMoney.
