Transição ecológica pode atrair até US$ 800 bi por ano ao Brasil, indica iCS

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Enxergar a transição ecológica como uma das principais teses de crescimento econômico para as próximas décadas ainda pode parecer algo distante para parte do mercado financeiro. O ecossistema de investimentos verdes avança, mas boa parte dos alocadores brasileiros ainda não percebeu a dimensão do fluxo global de capital em disputa.As declarações e os dados sobre essa oportunidade foram apresentados no programa O Clima na Faria Lima, conduzido por Marina Cançado, em entrevista com Maria Netto, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS).A especialista explica que, segundo o estudo Brazil’s Investment-led Growth in the Ecological Transition, elaborado pelo iCS em parceria com a London School of Economics (LSE), entre US$ 600 bilhões e US$ 800 bilhões em investimentos globais podem ser direcionados anualmente para setores nos quais o Brasil tem vantagens competitivas, como energia renovável, combustíveis sustentáveis, agricultura regenerativa, produtos de base biológica, fertilizantes de baixo carbono e aço verde.Leia mais: Economia climática pode criar as próximas gigantes globaisA captação desses recursos tem potencial para elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 1% e 1,5% ao ano.Escala dos setores verdesPara aproveitar esse fluxo internacional, o relatório defende que o país precisa estruturar uma visão integrada de desenvolvimento industrial e agrícola, em vez de atuar apenas como fornecedor de matérias-primas.“Se tivéssemos uma visão orientada sobre esses setores de forma organizada, poderíamos atrair entre US$ 600 e US$ 800 bilhões adicionais por ano para o Brasil por conta desses setores. A gente tem que ver os minerais críticos com o beneficiamento, não são minerais críticos apenas para vender”, afirma Maria Netto.A diretora-executiva do iCS explica que a atração desse capital exige reformas estruturais e incentivos bem desenhados pelo Estado. Ela também afirma que já existem mecanismos capazes de viabilizar esses investimentos, “mas que precisariam ser muito mais bem estruturados, e através disso você também poderia ter ganhos fiscais importantes depois”, segundo a executiva.Oportunidades no NordesteSegundo a diretora-executiva, uma das frentes mais promissoras do estudo indica o Nordeste como um vetor decisivo para atrair companhias e reindustrializar o país.A região pode se tornar um polo relevante para a geração de energia eólica e solar, além de possuir portos bem posicionados para escoar a produção para os Estados Unidos e a Europa.Leia também: Mudanças climáticas e IA: por que o modelo de liderança atual precisa mudarPara transformar essa vantagem competitiva em desenvolvimento concreto, o iCS e instituições parceiras se uniram ao Consórcio de Governadores do Nordeste, criado para alinhar estratégias de investimento público, infraestrutura e atração de negócios para a região.“Nós temos muita energia barata, faz sentido produzir aqui. Promovemos esse polo para poder aumentar investimentos, e também abrir um espaço de escoamento e acesso a mercados”, destaca Netto.O trabalho conjunto resultou no lançamento do Fórum de Power Shoring durante a COP30. A iniciativa busca criar um ecossistema favorável aos negócios, com soluções para gargalos de distribuição local de energia, logística e qualificação de mão de obra em polos emergentes, como Ceará e Pernambuco.A proposta é atrair plantas de aço verde, fertilizantes de baixo carbono, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e biometano, articulando governos estaduais, investidores privados e bancos multilaterais de desenvolvimento.O papel do capital filantrópico no ecossistema de negóciosA consolidação dessas frentes de mercado exige um trabalho prévio de articulação entre governo, investidores e setor produtivo. Como o processo envolve a criação de regras, projetos-piloto e arranjos institucionais de alto risco, que não costumam ser financiados por bancos ou gestores tradicionais, a filantropia assume o papel de destravar ecossistemas e estruturar soluções para que o mercado possa atuar posteriormente.“Ele pode ser catalítico e transformador porque pode criar conhecimento, políticas públicas, regulação e institucionalidade, mas é sempre um capital de apoio. Nunca vai substituir o que precisa ser feito por um governo ou pelo setor privado”, pontua Maria Netto.Leia mais: Potência climática, Brasil ainda captura pouco do investimento globalA janela de oportunidade para o mercado financeiroAo projetarem os próximos anos, as entrevistadas ressaltaram a urgência de os profissionais do mercado financeiro local participarem ativamente da criação dessas novas cadeias produtivas, aproveitando a pressão internacional por insumos descarbonizados em mercados como os da Ásia e da Europa.Para Netto, o país precisa superar a acomodação nos mercados maduros e assumir o protagonismo na estruturação desses novos ativos.“Sobretudo para os mais jovens, acho que é um momento importante para pensar fora da caixa, ir além dos mercados maduros e tradicionais e fazer parte de uma transformação. Como indicou o estudo da London School, precisamos ser mais ambiciosos, atrair esses bilhões e levar a economia na direção certa. Temos uma janela de oportunidade, e essa janela se fecha”, conclui a executiva.The post Transição ecológica pode atrair até US$ 800 bi por ano ao Brasil, indica iCS appeared first on InfoMoney.

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