Dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania indicam que o Disque 100 registrou cerca de 75 mil denúncias de violência contra pessoas idosas nos primeiros quatro meses de 2026, alta de 29,85% sobre mesmo período do ano anterior. Mas além da violência física, existe também o abuso patrimonial contra idosos.Diferente de episódios com agressão física, as violações aos recursos financeiros costumam acontecer longe dos olhos da sociedade. Isso significa que a autonomia financeira na velhice pode ser ameaçada no próprio lar por meio do controle indevido de cartões, benefícios, senhas, procurações e empréstimos, por exemplo. Segundo Antonio Leitão, gerente institucional do Instituto de Longevidade MAG, essa característica silenciosa compromete a percepção do problema.“A violência contra a pessoa idosa nem sempre deixa marcas visíveis. Em muitos casos, ela ocorre de forma silenciosa, por meio da negligência, do abandono, da violência psicológica ou do uso indevido de recursos financeiros”, ressalta.Leia mais: Quem paga pelos cuidados na velhice? Veja o gasto que não pode faltar no planejamento7 sinais de alertaIdentificar com antecedência quaisquer alterações na gestão do dinheiro e no comportamento da pessoa idosa é imprescindível para interromper a exploração financeira. Fique atento aos 7 principais indícios:1. Centralização e perda do controle sobre o dinheiro: Familiares ou cuidadores que assumem o domínio total sobre contas bancárias, cartões, benefícios e senhas, bloqueando o livre acesso do titular aos seus recursos.2. Pressão para assinar documentos e procurações: Insistência de terceiros para que o idoso transfira poderes, assine contratos, altere testamentos ou venda imóveis e bens sem ter o devido esclarecimento.3. Contratação de empréstimos sem consentimento: Solicitações de crédito consignado ou movimentações de grande porte feitas sem o pleno entendimento ou concordância da vítima.4. Desaparecimento de bens, senhas e documentos: Sumiço injustificado de pertences, cartões bancários, documentos pessoais ou extratos do idoso.5. Alteração drástica no padrão de vida: Dificuldades para custear remédios, alimentação ou contas básicas, mesmo quando a renda da pessoa idosa continua mantida.6. Mudança comportamental e medo ao falar de dinheiro: Postura de insegurança, vergonha ou receio de sofrer represálias ao abordar questões financeiras familiares.7. Isolamento social intermediado pelo agressor: Terceiros que passam a filtrar todas as conversas do idoso, impedindo seu contato a sós com outros parentes ou com funcionários de bancos.Quer saber mais sobre seguros? Inscreva-se na Segura Essa: a newsletter de Seguros do InfoMoneyBarreiras psicológicasNo âmbito jurídico, a violação aos bens do idoso é vista como uma das agressões mais graves e habituais no ambiente doméstico. Conforme a advogada Tatiana Naumann, especialista em Direito de Família e Sucessões e membro da Comissão de Direito de Família (CDF) da OAB/RJ, os laços afetivos tornam a denúncia um processo doloroso:“Muitos idosos deixam de denunciar por medo de sofrer represálias, de serem abandonados ou de perderem o único apoio que possuem. Também é comum que sintam vergonha de expor conflitos familiares ou até mesmo tentar justificar as atitudes do agressor por se tratar de um filho, neto ou outro parente próximo”, explica.Leia mais: Longevidade pode levar a Geração Alpha aos 100 anos e mudar carreira e aposentadoriaA complexidade aumenta quando a vítima lida com limitações de saúde, de fala ou cognitivas, o que facilita o mascaramento do crime como um simples conflito entre parentes.Como provar e denunciarAo constatar indícios de exploração, a orientação central é oferecer escuta acolhedora ao idoso e reunir evidências. Devem ser guardados extratos de movimentações atípicas, contratos desajustados, histórico de saques e relatos que comprovem a coação.Para conter o abuso e buscar reparação, Tatiana detalha que a denúncia pode ser realizada diretamente com a polícia, Ministério Público e serviços de assistência social ou aos Conselhos dos Direitos da Pessoa Idosa. “Quando houver risco imediato à integridade física ou à vida da vítima, o atendimento policial deve ser acionado”, ressalta.Casos de prejuízo patrimonial podem ser levados à Defensoria Pública para anular assinaturas obtidas sob coação e responsabilizar o agressor nas esferas cível e criminal.Leia também: Planos de saúde envelhecem: beneficiários acima de 59 anos crescem mais que jovensComplementando as orientações de apoio, a advogada especialista em Direito de Família e Sucessões Vanessa Bispo recomenda a busca por atendimento especializado – como o Disque Idoso [0800 88 75 50] – e outras medidas protetivas. Denúncias também podem ser feitas gratuitamente por meio do Disque 100 e nos canais digitais do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.Agir contra o patrimônio da pessoa idosa enquadra o agressor em crimes como estelionato, furto, extorsão, apropriação indébita e falsificação documental. As sanções legais incluem o dever de ressarcimento e penas que variam de dois a cinco anos de prisão. Em situações nas quais o crime é cometido por familiares, a punição pode ser agravada com a perda de direitos sucessórios, como herança ou pensão.Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!The post Violência financeira contra idosos: 7 sinais que a família deve observar appeared first on InfoMoney.
