A forte reação das ações da WEG (WEGE3) após o balanço do segundo trimestre reacendeu uma discussão que havia perdido força nos últimos meses: a companhia voltou a ser uma tese de crescimento para o mercado?Os papéis dispararam cerca de 10% após a divulgação dos resultados, refletindo uma combinação de margens acima do esperado, aceleração dos negócios industriais no Brasil e sinais de que o pior momento do ciclo de desaceleração pode ter ficado para trás. Embora os analistas ainda apontem riscos relevantes — especialmente relacionados às tarifas dos Estados Unidos e à fraqueza do segmento solar —, a leitura predominante é de que o trimestre trouxe maior confiança na trajetória de expansão para 2027 e 2028.“O resultado não muda completamente a tese, mas reduz significativamente os riscos”, resumiu o Itaú BBA.O lucro líquido do segundo trimestre superou o consenso do mercado em cerca de 5%, enquanto a margem Ebitda atingiu 21,8%, retornando aos níveis observados em 2024 e 2025. A rentabilidade foi sustentada por um mix de produtos mais favorável, ganhos de produtividade e maior participação de negócios de maior margem.Leia mais:Confira o calendário de resultados do 2º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 2T26 ganha destaque: veja ações e setores para ficar de olhoPara o Santander, o trimestre mostrou uma recuperação mais rápida do que o esperado. Além da margem acima das projeções, a instituição destacou a demanda robusta em segmentos de ciclo longo, transmissão e distribuição de energia (T&D) e data centers, bem como uma carteira de pedidos considerada saudável.O ponto de inflexão chegou?Nos últimos trimestres, investidores questionavam se a WEG conseguiria voltar a apresentar o crescimento que historicamente justificou seus múltiplos elevados na Bolsa.O Itaú BBA avalia que o segundo trimestre deveria marcar justamente esse ponto de inflexão. Segundo o banco, a combinação de novas capacidades produtivas entrando em operação no segundo semestre e bases comparativas mais fáceis cria condições para uma reaceleração dos resultados.“Investidores de longo prazo podem agora se sentir mais confortáveis em comprar a ação e esperar pela reaceleração dos lucros”, afirmaram os analistas.A XP Investimentos, embora classifique os números como apenas marginalmente positivos em termos absolutos, destaca que o sentimento do mercado antes da divulgação estava bastante deteriorado, o que ajuda a explicar a forte reação dos papéis.A casa chama atenção para a melhora sequencial das margens e para o crescimento orgânico da receita de 7% na comparação anual, excluindo efeitos cambiais, acima das expectativas de mercado.Já o BTG Pactual foi mais enfático ao levantar a pergunta que passou a dominar o debate após o resultado: “o retorno da tese de crescimento?”.Para o banco, a forte geração de caixa, o aumento dos investimentos em expansão de capacidade e um ROIC de 34% reforçam a percepção de que a companhia está construindo as bases para um novo ciclo de crescimento. O BTG avalia que, com uma base cambial mais equilibrada e a entrada gradual de novas fábricas e linhas de produção ao longo do segundo semestre, os investidores podem voltar a atribuir prêmio à combinação de crescimento e expansão de margens que historicamente caracterizou a WEG.O que sustentou o resultado?Parte importante da surpresa positiva veio da recuperação da área de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais (EEI) no mercado doméstico.Segundo o Bradesco BBI, a receita do segmento avançou 16,5% na comparação anual, acelerando fortemente em relação ao primeiro trimestre, quando havia crescido apenas 1,7%.A leitura dos analistas é que a atividade industrial brasileira mais aquecida ajudou a impulsionar a demanda. Além disso, a margem Ebitda ficou cerca de 0,6 ponto percentual acima tanto das projeções do banco quanto das estimativas do consenso.Para o Citi, outro destaque foi a manutenção da forte demanda internacional. Em dólar, os negócios externos continuaram avançando em ritmo de dois dígitos, impulsionados especialmente por transformadores e equipamentos ligados à infraestrutura elétrica nos Estados Unidos.A instituição também destacou que o ROIC subiu para 33,6%, evidenciando forte disciplina operacional mesmo em um ambiente de receitas ainda pressionado.Sem riscos? Apesar da melhora da percepção, os analistas não enxergam um cenário livre de riscos.O principal deles são as tarifas sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos. A XP avalia que as medidas devem começar a afetar os resultados a partir do terceiro trimestre de 2026, enquanto o Citi já observa impacto nas margens por conta tanto das tarifas quanto da alta dos preços do cobre.Outro desafio continua sendo o mercado de energia solar. A ausência de grandes projetos de geração centralizada segue pressionando o segmento de geração, transmissão e distribuição no Brasil. Embora parte dessa pressão deva desaparecer nas comparações a partir do segundo semestre, ainda há dúvidas sobre a velocidade dessa recuperação.Leia tambémPetrobras: BB Investimentos aposta em petróleo mais caro e eleva ações para compraBanco cita a persistência do risco geopolítico e a criação de um patamar mais elevado para os preços da commodityO Goldman Sachs observa que o consenso do mercado já espera uma aceleração importante da receita na segunda metade do ano. Pelas contas do banco, as projeções implícitas apontam para crescimento próximo de 8% no segundo semestre, após queda de 3% na primeira metade do ano. Ou seja: parte da retomada já está incorporada nas expectativas.Questão de valuationA grande questão agora é se o resultado é suficiente para justificar uma nova rodada de valorização da ação.É justamente nesse ponto que aparece a maior divergência entre os analistas.A XP pondera que, negociando a cerca de 27 vezes o lucro estimado para 2027, a ação precisará mostrar efetivamente uma reaceleração do crescimento nos próximos trimestres para sustentar um novo re-rating.O Itaú BBA faz avaliação semelhante. Embora considere que o trimestre reduziu os riscos para as estimativas de 2026, o banco não acredita que os resultados sejam suficientes para provocar revisões relevantes das projeções de lucro para 2027.Na visão dos analistas mais cautelosos, como o Citi e o Bradesco BBI, a melhora operacional é inegável, mas o valuation continua exigente, especialmente diante das incertezas relacionadas ao cenário global e às tarifas comerciais. Já o BTG Pactual tem recomendação de compra para os ativos, ressaltando que o papel negocia a 23 vezes o múltiplo de preço sobre lucro para 2027, abaixo da sua média histórica. The post WEG voltou a ser tese de crescimento? O que esperar para ação após saltar 10% com 2T appeared first on InfoMoney.
