Batalha dos bancões: em qual ação investir para valorização e dividendos após 1º tri?

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A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 desenhou um cenário de contrastes para os grandes bancos brasileiros: alguns provaram que conseguem nadar de braçada nos juros altos, enquanto outros amargaram fortes quedas de lucratividade e acenderam o sinal de alerta no mercado. Diante disso, a escolha de qual papel colocar na carteira exige do investidor uma análise mais apurada. Isso porque a dinâmica entre risco e retorno mudou, e a estratégia a ser adotada – seja dividendos ou valorização das ações – aponta para caminhos distintos dentro do próprio setor.Veja a seguir como cada banco se saiu o que os resultados significam para a decisão de investimento.Itaú (ITUB4): o porto seguro do setorO Itaú se consolidou, de forma unânime entre os analistas ouvidos pelo InfoMoney, como o grande destaque positivo do trimestre. A instituição reportou um lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no 1T26, uma alta de 10,4% na comparação anual. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), métrica fundamental para avaliar a eficiência bancária, atingiu 26,4% na operação brasileira. Leia tambémAção da B3 cai 5% após confirmação de Christian Egan como CEOA B3 afirmou que a data da posse será informada oportunamenteRendimentos dos Treasuries atingem máximas desde 2007, atraem e dividem investidores Estrategistas do Barclays Plc alertam seus clientes que os rendimentos podem ultrapassar os 5,5%, nível visto pela última vez em 2004Para o investidor, o Itaú é a principal recomendação para quem busca qualidade e dividendos consistentes. Fernando Benavenuto, sócio da Anvex Capital, classifica a operação da instituição como um “relógio suíço defensivo para o setor”, elogiando a gestão de risco e a execução mesmo em um ciclo de crédito pressionado. Hayson Silva, analista da Nova Futura Investimentos, concorda ao definir ITUB4 como a “qualidade já provada”, enquanto Pedro Galdi, analista do AGF, pontua que a eficiência e a evolução das contas estruturais dão ao banco “maior potencial para distribuição de proventos” em carteiras previdenciárias.Bradesco (BBDC4) tem recuperação e potencial de valorizaçãoSe o Itaú entregou a constância esperada, o Bradesco foi a grande surpresa positiva. O banco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões (alta de 16,1% na base anual) e um ROE de 15,8%. Foi o nono trimestre consecutivo de expansão nos lucros, confirmando que o processo de reestruturação da instituição está no caminho certo. Hayson Silva destaca que, para um banco que vinha desacreditado recentemente, esse resultado “tem peso relevante na reconstrução de credibilidade”.No que diz respeito à tese de investimento, o Bradesco é a escolha número um para quem foca em ganho de capital. Cristiano Luersen, especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos, explica que a ação negocia próxima ao valor patrimonial, um múltiplo historicamente baixo que não deve se sustentar à medida que a rentabilidade se normalize na faixa de 18% a 20%. “O Bradesco é o papel com a relação risco‑retorno mais assimétrica neste momento”, avalia o especialista, alertando que a tese exige paciência e um horizonte de 24 a 36 meses, mas é “onde o potencial de valorização está mais bem remunerado”.Banco do Brasil (BBAS3) e a crise no agro Na ponta oposta, o Banco do Brasil foi classificado como a maior decepção da temporada. O banco estatal reportou uma contração relevante, com o lucro líquido ajustado recuando para a faixa de R$ 3,4 bilhões – queda superior a 50% na base anual – e o ROE despencando para 7,3%. O vilão desse resultado foi o agronegócio: a inadimplência rural saltou de 2,76% para 6,22%, fazendo com que o custo de crédito do banco disparasse 86%, atingindo R$ 18,9 bilhões. Pedro Galdi resume que o resultado fraco reflete a “necessidade de ampliar provisões para perdas” diante da forte crise que abala o agronegócio.Além do balanço desanimador, a revisão para baixo do guidance de lucro para 2026, que caiu para a faixa de R$ 18 a 22 bilhões, minou a confiança do mercado. Os analistas recomendam distância do papel neste momento. “O horizonte de normalização do problema ficou materialmente mais longo”, alerta Luersen. Benavenuto reforça que o ciclo de crédito para o banco público “está consideravelmente mais apertado”, enquanto Hayson Silva conclui que o desconto da ação não justifica a entrada agora pela “falta de visibilidade” sobre quando o ciclo de deterioração irá terminar. Há ainda o risco político embutido, com Silva ressaltando que, por ser público, o BB pode sofrer influências “que nem sempre seguem uma lógica puramente econômica”.Santander (SANB11) tem desaceleração no crescimentoO Santander também amargou a lista das decepções do 1T26, ainda que em menor gravidade que o BB. Com um lucro líquido gerencial de R$ 3,8 bilhões e um ROE de 16%, o banco ficou abaixo das expectativas e longe de sua meta interna de 20% até 2028. A carteira de crédito expandiu 3,4% no ano, refletindo uma postura conservadora frente ao aumento da inadimplência acima de 90 dias, que passou de 2,8% para 3,3%. Para Cristiano Luersen, o quadro sinaliza uma “deterioração de qualidade em várias faixas de crédito” e aponta para um processo de desaceleração do crescimento.O diagnóstico para o Santander é um problema de modelo frente ao atual momento da política monetária. Hayson Silva explica que a instituição possui uma “sensibilidade estrutural negativa ao ciclo de juro alto”, fator que fica escancarado com uma Selic de dois dígitos. “Não é um problema de execução, é de modelo. E, enquanto os juros não caírem de forma mais consistente, essa pressão não desaparece”, diz Silva, que também recomenda ficar de fora do papel por enquanto, já que entrar agora seria antecipar uma melhora que ainda não tem data para ocorrer.Qual a melhor opção para dividendos?Para grande parte dos investidores da Bolsa, a principal atratividade do setor bancário tradicional está na distribuição de proventos. No entanto, o cenário desafiador deste ano exige que a caça aos dividendos vá além da simples leitura do percentual de retorno final.A perspectiva atual aponta para um empate técnico no topo do ranking de pagamentos entre os pares privados, mas com origens distintas. “Para 2026, Itaú, Bradesco e Santander devem entregar yields projetados próximos, na faixa de 7% a 8%”, estima Hayson Silva, da Nova Futura. O especialista alerta, porém, que a grande armadilha está em olhar apenas para a taxa: “a diferença entre eles não está no tamanho do dividendo, mas na qualidade do resultado por trás dele”.Ao destrinchar a fonte desses pagamentos, Silva explica que a segurança não é a mesma para todos. Com o “lucro mais sólido e previsível do setor”, o Itaú é a opção mais segura para os focados em renda. O Bradesco, por sua vez, “paga com um resultado em recuperação, mas crescendo”. Já o caso do Santander exige cautela redobrada do investidor de renda passiva, já que o banco “paga com um resultado mais pressionado e uma cotação que caiu bastante no ano” – o que infla artificialmente o dividend yield (retorno com dividendos).Já o Banco do Brasil “é o único que destoa do grupo, com yield projetado entre 4,5% e 5%, reflexo do lucro comprimido e do payout (parcela do lucro distribuída) reduzido para 30% em 2026″, conclui o analista.Vale a pena investir em bancos agora?Apesar dos sobressaltos com BB e Santander, os analistas concordam que ainda vale a pena ter exposição ao setor bancário, desde que o investidor seja extremamente seletivo e alinhe suas escolhas à sua estratégia pessoal.Para a construção de uma carteira com foco em dividendos, Fernando Benavenuto destaca que a sustentabilidade da distribuição exige instituições maduras, com geração de capital robusta e menor necessidade de reinvestimentos, o que aponta diretamente para o Itaú. Para ganho de capital via valorização, a aposta é o Bradesco.Contudo, é necessário cautela com o ambiente macroeconômico. Pedro Galdi alerta para o movimento atual de saída de capital estrangeiro da Bolsa, o que exige prudência para ganhos de capital, embora crie oportunidades para estratégias de dividendos.Como alerta Benavenuto, o setor bancário exige atenção a indicadores além do lucro contábil: “bancos são empresas de capital intensivo, e o nível de provisionamento, a qualidade da carteira e o índice de cobertura dizem mais sobre a saúde da instituição do que o lucro líquido divulgado”. The post Batalha dos bancões: em qual ação investir para valorização e dividendos após 1º tri? appeared first on InfoMoney.

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