Embraer (EMBJ3) dá pequeno passo, mas com potencial gigante na Índia; entenda

Blog

A Embraer (EMBJ3) deu mais um passo em sua estratégia para ampliar presença no mercado de defesa da Índia ao adquirir 51% da recém-criada Novavayu Aerospace, empresa formada em parceria com a Mahindra & Mahindra. Embora o valor da transação seja simbolicamente pequeno, analistas veem o movimento como potencialmente relevante para uma oportunidade muito maior: a disputa pelo programa de aeronaves de transporte militar da Força Aérea Indiana.Segundo comunicado regulatório da Mahindra, a Embraer pagará aproximadamente US$ 5,7 mil pela participação de controle da companhia, criada recentemente e ainda sem receitas. Para o Bradesco BBI, a operação representa mais um marco da cooperação entre Embraer e Mahindra em torno da campanha do cargueiro militar C-390 Millennium.O movimento acontece poucos dias após Embraer e Mahindra anunciarem a cidade de Nagpur, no estado de Maharashtra, como local escolhido para a instalação de uma linha de montagem final do C-390 no país, caso a aeronave seja selecionada no programa indiano de aeronaves de transporte médio (MTA, na sigla em inglês).Passo pequeno com potencial gigantePara o JPMorgan, o valor financeiro da aquisição é imaterial, mas o significado estratégico é muito maior.O banco afirma que a criação da estrutura societária pode ser um passo necessário para permitir que a Embraer participe de uma grande concorrência militar dentro da política indiana de produção local.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com realização de lucros e eleições no radarBolsas dos EUA operam mistas em meio a balanços de bancos “One small check for the company, one (potentially) giant step for its India ambitions”, destaca o relatório.A leitura do JPMorgan é que a Novavayu pode se transformar no veículo corporativo necessário para atender as exigências do programa “Made in India”, condição relevante para contratos de defesa de grande porte no país.Contrato pode somar US$ 10 bilhõesO principal prêmio em disputa é o programa de aeronaves de transporte médio da Força Aérea Indiana.Segundo o JPMorgan, um eventual contrato para 60 aeronaves C-390 teria valor estimado em aproximadamente US$ 10 bilhões e representaria um aumento de cerca de 160% na atual carteira da divisão de Defesa & Segurança da Embraer. No consolidado da companhia, equivaleria a uma expansão próxima de 30% do backlog total.O modelo discutido prevê inicialmente a importação de 12 aeronaves e, posteriormente, a fabricação e montagem local de outras 48 unidades. O conteúdo nacional seria de pelo menos 40%, aumentando gradualmente para 60%.A instalação proposta em Nagpur seria responsável pela montagem final, integração de sistemas, desenvolvimento da cadeia de fornecedores e atividades de manutenção e suporte, alinhadas à estratégia de produção local exigida pelo governo indiano.O JPMorgan destaca que a oportunidade indiana não se limita ao segmento de defesa, citando ainda as discussões entre a Embraer e a companhia aérea regional do grupo IndiGo sobre uma possível aquisição de dezenas de jatos da família E2 para substituir parte de sua frota turboélice e expandir capacidade. Segundo o banco, uma eventual encomenda poderia superar US$ 1 bilhão a preços de lista.Além disso, a Embraer também negocia com o grupo Adani oportunidades relacionadas à montagem local de aeronaves e um possível pedido potencial de até 200 jatos, dependendo da configuração da demanda e do modelo escolhido. Pelas estimativas do JPMorgan, um contrato dessa magnitude poderia representar até US$ 8,5 bilhões em encomendas.C-390 já tem pipeline relevanteEmbora o contrato indiano ainda esteja em disputa, o JPMorgan destaca que o potencial de expansão do C-390 já é expressivo.O banco calcula que o cargueiro possui atualmente backlog estimado de aproximadamente US$ 4,6 bilhões, considerando pedidos firmes remanescentes. Além disso, negociações e seleções já anunciadas por diferentes países poderiam elevar esse número substancialmente.Na tabela elaborada pela instituição, o programa indiano aparece como a maior oportunidade isolada em negociação, à frente de discussões em países como Arábia Saudita, Polônia, Chile, África do Sul, Marrocos e Angola.O Bradesco BBI também avaliou o anúncio como positivo. Na visão da casa, a aquisição reforça a parceria entre Embraer e Mahindra justamente no momento em que as empresas ampliam esforços para vencer a concorrência do programa MTA com o C-390. O banco vê a operação como mais uma evidência da construção gradual da presença industrial da fabricante brasileira no país.O JPMorgan manteve recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para Embraer mesmo após a fabricante não participar plenamente do rali eleitoral observado em diversas ações brasileiras. A instituição afirma que o papel continua apoiado por uma carteira de pedidos recorde de US$ 34,5 bilhões ao fim do segundo trimestre de 2026, além de forte execução operacional.Na avaliação do banco americano, a ação negocia a aproximadamente 8,7 vezes EV/Ebitda (valor da firma/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) estimado para 2027, abaixo de múltiplos observados em diversos pares internacionais do setor aeroespacial e de defesa.The post Embraer (EMBJ3) dá pequeno passo, mas com potencial gigante na Índia; entenda appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *