A possibilidade de taxar títulos hoje isentos de Imposto de Renda, como LCI e LCA, voltou ao radar do mercado financeiro nos últimos dias, após o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmar que a revisão desses papéis é vista pelo governo como inevitável, embora o momento da decisão caiba ao próximo governo eleito.Em declaração dada ao jornal Valor Econômico, Leal afirmou que o avanço das distorções nesse mercado deve forçar o tema à mesa mais cedo ou mais tarde. Ele disse que o assunto “vai ter que ser enfrentado para que a gente tenha um mercado mais eficiente”, destacando que o benefício alcançaria toda a cadeia, incluindo os próprios emissores dos papéis incentivados.O tema ganha força num momento em que o Tesouro enfrenta dificuldade para colocar NTN-Bs, títulos públicos indexados à inflação, nos leilões. Até segunda ordem, o leilão de papéis de inflação previsto para terça-feira (14) segue de pé, mas os agentes ainda monitoram o possível anúncio de intervenção capaz de enfrentar as taxas.Ainda de acordo com o secretário, as alternativas em avaliação incluem mudanças via Imposto de Renda ou IOF, além de novas regras de emissão e oferta, que poderiam vir por decreto, normas do CMN ou da CVM, ou por projeto de lei.Parte dessas ideias já havia sido tentada em 2025, pela Medida Provisória 1.303, que chegou a propor alíquota de 5% de Imposto de Renda sobre novas emissões de títulos isentos. A MP perdeu validade em outubro, sem votação no plenário da Câmara dentro do prazo constitucional. Leal negou qualquer articulação em curso hoje para retomar o debate de forma imediata.Quanto vale a isenção hojeEnquanto a discussão não avança, a regra segue a mesma e a isenção continua valendo integralmente para quem investe em LCI e LCA. Dá para medir o que isso representa na prática. Uma simulação feita com a calculadora de renda fixa do InfoMoney, considerando uma aplicação de R$ 50 mil por 12 meses em título que paga 85% do CDI, com o CDI em 14,15% ao ano, mostra um resgate líquido de R$ 56.013,75 ao fim do período.O ganho total é de R$ 6.013,75, sem qualquer desconto de Imposto de Renda. Isso equivale a uma média de R$ 501,15 por mês, já que o rendimento é composto e cresce ao longo do período. Esse é o valor que o investidor deixaria de receber integralmente caso a isenção chegasse ao fim.Como referência, é possível dimensionar o efeito de uma eventual taxação. Caso incidisse a alíquota de 5% sobre o rendimento, nos moldes que a MP 1.303 chegou a propor, o investidor pagaria R$ 300,69 de imposto e o resgate líquido cairia de R$ 56.013,75 para R$ 55.713,06. Já a média mensal recuaria de R$ 501,15 para R$ 476,09. Vale lembrar que a proposta de 2025 previa a cobrança apenas sobre novas emissões, sem atingir o estoque de quem já tinha o papel na carteira.Vale lembrar que não está tão fácil encontrar LCI e LCA no mercado: segundo levantamento da Quantum, as taxas das emissões até o começo de junho vinham em queda.The post Quanto R$ 50 mil rendem em LCI e LCA, que (ainda) são isentas de IR appeared first on InfoMoney.
