A automação deixou de ser apenas uma ferramenta operacional e passou a ocupar um papel central na rotina de traders que buscam eficiência, disciplina e, sobretudo, liberdade.Em um mercado cada vez mais dinâmico, estratégias automatizadas vêm transformando o trade em uma atividade menos dependente da presença física e mais alinhada à gestão de tempo e risco.Marcelo Carvalho, desenvolvedor de robôs, trader e influenciador da Clear Corretora e da OnTick Invest, concedeu entrevista ao InfoMoney, onde detalhou como a automação mudou sua forma de operar e de viver do mercado financeiro.Carvalho destacou que o principal ativo gerado pelos robôs não é apenas financeiro, mas estrutural. “Hoje o nosso maior ativo é a liberdade, é o tempo. Eu vivo isso, de fato”, afirma.Trader desvenda uso de robô na operação no mercado financeiro: Confie na estatísticaLiberdade além da telaInicialmente, o trader explica que a automação rompe a dependência direta do “clique” e da presença constante diante da tela.Com isso, os robôs passam a executar a estratégia de forma autônoma, permitindo que o operacional siga funcionando mesmo durante viagens, compromissos pessoais ou atividades fora do mercado, o que altera de forma profunda a relação do trader com o tempo. “Passei o tempo inteiro viajando sem olhar para o mercado, literalmente sem olhar para o mercado. E para mim isso é de fato a maior vantagem de ter os robôs”, afirma.Além disso, Carvalho destaca que essa autonomia não significa abandono do mercado, mas uma reorganização da rotina. Segundo ele, a análise acontece em momentos pontuais, enquanto a execução fica a cargo da automação, reduzindo o desgaste mental e a necessidade de vigilância constante.“Eu gosto de analisar de manhã, olho, os robôs já estão prontos para operar, saiu fora do mercado e deixa eles operando”, explica.Trade: o segredo de quem opera só nos primeiros 15 minutos da sessãoNesse sentido, o trader ressalta que a automação elimina o que ele chama de “CLT de tela”, expressão usada para definir a obrigação de permanecer conectado o dia inteiro ao pregão. Ao viver longe dos grandes centros e manter uma rotina ativa fora do mercado, ele afirma que conseguiu equilibrar vida pessoal e profissional sem abrir mão do trade. “A gente brinca de chamar CLT de tela, isso pra mim é o ativo mais valioso, é a liberdade”, conclui.Leia tambémDe representante comercial a Uber Trader: como Cleiton Gomes uniu direção e day tradeComo a rotina entre o volante e o mercado levou um Uber Trader ao Profit Summit 2025 após um encontro improvávelAutonomia com responsabilidadePor outro lado, o desenvolvedor observa que a automação também contribui para maior controle emocional, inclusive nas operações manuais. Ainda assim, ele faz um alerta importante sobre escolhas equivocadas. “Tem que tomar muito cuidado principalmente com promessas da internet. Não é qualquer robô que é bom para utilizar”, alerta.Segundo ele, entender a estratégia, o desenvolvedor e a plataforma é parte essencial do processo. “Se vai usar alguma automação, tenha contato com o desenvolvedor, tenha contato com a plataforma”, orienta.“Conselho Trader” expõe os erros que impedem Bertuzzo de avançar no day tradePortfólio reduz riscosOutro ponto central abordado foi a importância da descorrelação entre estratégias. Para Carvalho, trabalhar com um portfólio de robôs reduz riscos e aumenta a consistência no longo prazo. “Tu não está colocando todos os ovos em uma só cesta. Eu descorrelaciono o meu portfólio usando mais de um tipo de robô”, explica.Além disso, ele destaca que estratégias distintas — tendência, reversão e mercado lateral — ampliam a probabilidade de desempenho positivo diário. “Quanto mais estratégias tu tem, menor tu deixa o teu risco”, observa.Leia tambémA virada de Fernando Modé: disciplina, rotina e controle emocional no day tradeA trajetória do trader revela como disciplina, regras rígidas e autoconsciência emocional diferenciam quem perde tudo de quem constrói consistênciaRobôs contra o dia de fúriaQuando o assunto é volatilidade extrema, Marcelo Carvalho explica que a automação funciona como um freio racional em momentos de estresse elevado do mercado. Em dias de forte oscilação, nos quais o trader manual costuma sair do plano e insistir em operações impulsivas, o robô mantém a disciplina previamente programada.“O robô não vai ficar tentando bater contra o mercado. É o dia que o robô perdeu, ele aceita, amanhã é um novo dia”, afirma.Além disso, Carvalho destaca que um dos principais diferenciais da automação está na limitação objetiva do número de operações. Dessa forma, ao restringir o robô a apenas um trade por dia, o risco de uma sequência de perdas é drasticamente reduzido, o que impede o efeito cascata típico do chamado “dia de fúria”. “Todas as estratégias automatizadas só podem fazer um trade por dia. Quando eu limito os meus robôs a um trade no dia, isso muda completamente”, explica.Nesse sentido, ele ressalta que deixar um robô operar livremente durante todo o pregão pode ser tão perigoso quanto um trader emocional, especialmente em mercados direcionais. Por isso, a definição de regras claras é parte central da estratégia automatizada.“Quando eu deixo um robô com esse tipo de perfil pra ficar operando o dia inteiro é muito perigoso”, alerta.Carvalho reforça que, apesar de ser um sistema racional, o robô precisa de limites bem definidos para cumprir seu papel de proteção operacional.“O robô não tem fúria, mas quando tu limita um trade no dia, isso muda completamente”, conclui.Automação no trading: como validar estratégias, evitar erros e melhorar performanceAutomação como regra futuraPor fim, Marcelo Carvalho avalia que o avanço da automação não é apenas uma tendência, mas um caminho praticamente irreversível para o mercado.Segundo ele, o modelo híbrido — com parte das operações manuais e parte automatizada — já é uma realidade entre muitos traders e tende a se expandir rapidamente nos próximos anos.“Eu acho que sim, isso já é uma verdade, já acontece isso, eu conheço muitos clientes que gostam de operar manual, mas já têm aquela fatia distribuída por robôs”, afirma.Além disso, Carvalho destaca mudanças estruturais no mercado de trabalho como um dos principais vetores desse movimento. Com o fim gradual do home office, muitos traders deixam de ter disponibilidade para acompanhar o mercado em tempo integral, o que acelera a adoção da automação.“Hoje a gente tem muitas pessoas que não têm mais o home office. Quem trabalha numa empresa acaba ficando limitado, então eu vejo que o pessoal vai acabar investindo muito mais em robôs enquanto está trabalhando”, observa.Nesse cenário, ele projeta uma inversão clara no perfil do mercado nos próximos anos. “Eu tenho certeza que para 2026, 2027 e assim pra frente vai ter cada vez mais esse trader híbrido. E lá no futuro vai acabar diminuindo bastante o trade manual e ficando muito mais automatizado”, conclui.Sem controle emocional e técnica não se faz gerenciamento de risco no tradeConfira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. 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