Eleições 2026: o que o trader deve observar antes de operar índice e dólar

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As eleições de 2026 devem entrar no radar dos traders antes mesmo de os brasileiros irem às urnas. Em uma disputa apertada, pesquisas eleitorais e notícias capazes de alterar as chances dos candidatos podem obrigar o mercado a rever rapidamente suas expectativas — e aumentar as oscilações dos contratos futuros de índice e dólar.O impacto dependerá menos da divulgação de uma nova informação e mais da distância entre essa novidade e o cenário já refletido nos preços. Quanto maior a surpresa, mais intensa tende a ser a reação.Em entrevista ao InfoMoney durante a Expert XP 2026, Rafael Perretti, economista e analista da Clear, explicou como a incerteza eleitoral afeta o mercado e quais sinais devem ser acompanhados pelos traders ao longo da campanha.Disputa acirrada aumenta a incertezaEnquanto o resultado permanecer indefinido, pesquisas e notícias podem alterar as projeções para a economia e provocar ajustes nas posições dos investidores.“O impacto da eleição no mercado, a princípio, é muita volatilidade”, afirma Perretti.Esse efeito tende a ser maior quando nenhum candidato abre uma vantagem confortável. Sem um cenário dominante, o mercado passa a atribuir probabilidades a diferentes resultados e recalibra os preços a cada nova informação.“A eleição que a gente está vivendo é extremamente politizada e também está muito acirrada”, diz.A volatilidade, porém, pode diminuir antes da votação. Caso um candidato se consolide na liderança, os investidores podem antecipar o resultado e incorporar às cotações as expectativas para o próximo governo.“Se a gente chegar próximo da eleição e tiver uma certeza maior sobre quem será o vencedor, acredito que a volatilidade pode diminuir, porque o mercado já pode ter precificado esse vencedor”, afirma.Leia também: Até que preço o bitcoin pode cair? Para Stormer, o piso atual pode ser US$ 52 milQuando as pesquisas mexem com índice e dólarMesmo que um cenário pareça consolidado, uma pesquisa eleitoral pode mudar rapidamente a leitura do mercado. Para Perretti, o ambiente político brasileiro aumenta essa sensibilidade porque notícias e declarações dos diferentes lados da disputa surgem a todo momento.“No Brasil, as coisas são delicadas, porque a cada hora sai uma notícia, seja da oposição, seja do atual governo. O que balança muito o mercado são as pesquisas eleitorais”, afirma.Mais do que observar quem aparece na liderança, o trader precisa avaliar a direção e a intensidade das mudanças entre os levantamentos. Uma variação relevante pode levar investidores a desfazer posições ou montar novas estratégias, com reflexos principalmente nos contratos futuros de índice e dólar.“As pesquisas eleitorais, por si só, são um fator que pode trazer bastante volatilidade para o mercado”, diz.O impacto tende a ser menor quando os números confirmam o cenário já esperado. A reação ganha força quando o levantamento aponta uma direção diferente daquela considerada pelos investidores.“Principalmente se a pesquisa trouxer cenários diferentes do que o mercado está precificando ou imaginando”, destaca.Leia também: Bolsa já vive a ‘terceira onda’ com potencial de forte alta, dizem Moraes e StormerO que deve entrar no radar do traderPerretti também recomenda atenção a episódios capazes de afetar a imagem dos possíveis candidatos. Uma mudança na percepção do eleitorado pode alterar as probabilidades da disputa e chegar rapidamente aos preços dos ativos.Como exemplo, ele cita os efeitos de um áudio relacionado ao documentário Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, sobre a intenção de voto em Flávio Bolsonaro.“Desde que saiu o áudio do Dark Horse, que é o filme do Bolsonaro, a intenção de voto no Flávio diminuiu bastante”, relata.Em um ano eleitoral, avalia ele, operar os contratos futuros exigirá comparar cada pesquisa, declaração ou notícia com o cenário já incorporado às cotações. Para o trader, nesse sentido, o ponto central será perceber quando uma novidade apenas gera ruído e quando ela muda, de fato, as probabilidades da eleição.Dívida pública entra no radar após a eleiçãoPassada a votação, a atenção dos investidores tende a sair da disputa entre os candidatos e se voltar para as primeiras decisões econômicas do vencedor. Entre os temas considerados mais relevantes está a trajetória da dívida pública.“Precisamos ficar atentos, no pós-eleição, a quais serão as medidas adotadas pelo governo vencedor, principalmente em relação ao endividamento público do nosso país”, afirma Perretti.O tema interfere na avaliação do risco brasileiro e no retorno exigido pelos investidores para comprar ativos do país. Caso a trajetória fiscal perca credibilidade, a reação pode atingir simultaneamente o câmbio, os juros e a Bolsa.“Quando a gente olha para o endividamento público, essa é a principal dúvida do mercado”, diz.Para o analista, a preocupação aumenta diante do avanço da dívida. Uma piora na percepção sobre as contas públicas pode pressionar o dólar e provocar ajustes em diferentes classes de ativos.“A gente está em uma trajetória crescente, e isso impacta diretamente o câmbio no nosso país e diversas outras áreas”, ressalta.Leia tambémAnálise quantitativa: como usar robôs de investimento sem ignorar os riscosNa Expert XP 2026, Martha Matsumura, Felipe Perigolo e Lucas Lubrano Melo explicam por que modelos quantitativos ainda dependem de análise humana, testes robustos e controle da execução.Como o risco fiscal chega à BolsaUma piora na percepção fiscal tende a aparecer primeiro no câmbio, nos juros e nas expectativas de inflação. Para as empresas listadas, essa combinação pode elevar custos, pressionar margens e dificultar o acesso a financiamento.“Porque, se a gente errar agora em relação ao endividamento público, com uma taxa de juros a 14,25%, a inflação volta a disparar, o câmbio dispara e a gente vai ter que ficar correndo atrás”, alerta Perretti.O aumento dos juros também reduz o valor presente dos resultados futuros das companhias e torna a renda fixa mais competitiva em relação às ações. Nesse cenário, a volatilidade pode continuar elevada mesmo depois de definido o vencedor da eleição.“Com a Selic partindo de 14,25% para cima, o cenário fica muito complicado, extremamente delicado no nosso país”, enfatiza.A reação dos contratos de índice e dólar no período pós-eleitoral dependerá, portanto, da capacidade do novo governo de apresentar medidas capazes de melhorar a confiança nas contas públicas. Sem uma resposta considerada convincente, a reprecificação pode continuar por meio do câmbio, das expectativas de inflação e da curva de juros.“A gente não pode errar nessa questão do endividamento público”, conclui.The post Eleições 2026: o que o trader deve observar antes de operar índice e dólar appeared first on InfoMoney.

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