Embraer: queda das ações foi exagerada e abre oportunidade de compra, dizem analistas

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Após os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), as ações da Embraer (EMBJ3) caíram mais de 11% na última sexta-feira (8), em meio à visão de compressão de margens e adiamento de eventuais revisões positivas com os dados dos primeiros meses do ano. Apesar do balanço considerado negativo, analistas veem o movimento como uma oportunidade de compra, conforme destaca o JPMorgan.Para os analistas do banco americano, esta é uma chance de reforçar a recomendação de overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para a companhia.O banco destaca 4 motivos: i) o 1T é sazonalmente o trimestre mais fraco para a Embraer devido à limitada alavancagem operacional;ii) o resultado mais fraco no 1T tem impacto limitado nas estimativas do ano cheio – a companhia reiterou que a margem EBIT (EBIT = lucro antes de juros e impostos/receita líquida) do ano deve ficar no meio da faixa do guidance, em 9,0%, versus o consenso em 9,3% – não justificando uma queda de 11%;iii) potencial de alta vindo de tarifas: manter tarifa de 0% nos EUA até o fim do ano poderia elevar a margem EBIT para cerca de 9,6%, acima do consenso; eiv) a companhia estará em Nova York nesta semana, em reuniões com investidores, reforçando a mensagem positiva passada na teleconferência de resultados do 1T. Além disso, o feedback coletado de investidores nas interações de sexta-feira – ainda que a amostra do JPMorgan seja limitada em relação ao tamanho do mercado – mostra que a maioria dos investidores está disposta a aumentar posição após essa correção. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta segundaÍndices futuros dos EUA recuam de olho em negociações sobre guerra no IrãO banco aponta que o 1T é sazonalmente o trimestre mais fraco do ano para a companhia, impactado pela falta de alavancagem operacional. Apesar das maiores entregas no 1T26 versus 1T25, as margens das aviações comercial e executiva foram fracas (margem EBIT ajustada da divisão Comercial em -10% versus -5% no 1T25; margem EBIT ajustada da divisão Executiva em 6% versus 11% no 1T25). As pressões no segmento comercial vieram de mix, maiores custos logísticos (cerca de 50 pontos-base na margem agregada) e, na visão do JPMorgan, do ramp-up (início de produção) do nivelamento de produção. No segmento executivo, a pressão veio de mix (mais entregas para operadores de frota), despesas comerciais (lançamento do novo Praetor) e tarifas (impacto de 2,8 pontos percentuais). Enquanto isso, a carteira de pedidos permanece favorável, encerrando o 1T26 em recorde de US$ 32,1 bilhões (+22% ano contra ano), com a carteira de Aviação Comercial em US$ 15 bilhões (+50% ano contra ano).Leia mais:Confira o calendário de resultados do 1º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 1T26 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoO Goldman Sachs também seguiu com recomendação de compra para a ação. O banco ressalta que a receita da Embraer no 1T26 ficou acima do consenso, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e o fluxo de caixa livre (FCF) vieram abaixo. Já o guidance para 2026 foi reiterado. “O crescimento de receita foi de 31% no trimestre, à medida que a forte demanda continua se traduzindo em crescimento acima da média do setor. O FCF veio mais fraco do que o esperado no início do ano, mas o fluxo de caixa da Embraer costuma ser mais concentrado na segunda metade do ano”, aponta o Goldman, ressaltando ainda que as margens ficaram relativamente em linha e continuam se expandindo ano contra ano. “O BDR (recibo de ações negociado nos EUA) ERJ é negociada a 8,8 vezes o Ebitda estimado para 2027, um dos menores níveis do setor, apesar de uma posição fundamental forte no mercado”, complementa o banco. O BB Investimentos foi além e elevou a recomendação das ações da Embraer de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 88 para EMBJ3, após a forte queda dos ativos depois do 1T26. A reação, de acordo com o analista Luan Calimério, que assina o relatório, foi exagerada. “Em nossa visão, a Embraer apresenta uma relação entre ritmo de entregas e captura de pedidos saudável e, tudo o mais constante, embute uma expectativa positiva de crescimento para os próximos anos, sem mencionar a opcionalidade trazida pela EVE. Além disso, com as entregas realizadas até o momento e com as estimativas da companhia para o ano, esperamos um 2026 positivo”, aponta Calimério. O principal detrator do trimestre, na opinião do banco, foi o aumento relevante dos estoques, que fez com que a necessidade de capital de giro no período aumentasse substancialmente, consumindo R$ 2,4 bilhões em caixa. “Entretanto, entendemos que esse movimento é decorrente de um ramp up de produção e deve antecipar um aumento de entregas e de conversão de receita nos próximos resultados, revertendo o impacto negativo observado neste trimestre”, destaca. Risco de queda limitadoO JPMorgan, por sua vez, vê risco de queda limitado para 2026. Na visão do banco, o resultado “abaixo do consenso” no 1T gera um risco limitado de revisão negativa para 2026, já que a companhia espera ficar no meio da faixa de guidance de margem Ebitda de 8,7–9,3%, ou 9,0%, versus o consenso em 9,3%. No entanto, se as tarifas dos EUA permanecerem em zero, a companhia espera acrescentar 60 pontos-base à margem do ano, o que significaria que o meio da faixa do guidance seria 9,6%, acima do consenso. “Em outras palavras: se o mercado está precificando o 1T como um ‘fracasso’ na entrega do guidance de 2026, os comentários da gestão e o risco de alta em relação ao guidance vão na direção oposta a essa conclusão”, aponta. Olhando para os catalisadores de curto prazo, o JPMorgan espera que as reuniões da Embraer com investidores ao longo desta semana – “Brazil Week” em Nova York – ajudem a fechar a distância entre um trimestre sazonalmente fraco (e números abaixo do consenso) e a história de resultados do ano cheio. “Como destacado na teleconferência do 1T26, a gestão reiterou confiança em atingir o guidance de 2026 e enfatizou que as tensões geopolíticas, no momento, não estão gerando necessidade de reduzir o ritmo de entregas nem pressionando margens”, conclui. 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